A falta de incentivo político e a logística inadequada para fazer o escoamento da produção são fatores impeditivos para o desenvolvimento no setor de biocombustíveis na região Centro-Oeste. Principalmente em Mato Grosso, os empresários do segmento não veem outra saída para investir nas usinas flex – que produz combustível com outros tipo de matéria-prima além da cana-de-açúcar – se não for resolvidos esses gargalos. O assunto foi debatido durante a apresentação do Workshop de Plantas Flex, realizado nesta sexta-feira (23), em Cuiabá.
 
"Temos potencial para aumentar a produção e tecnologia suficiente para atender essa demanda, mas não temos uma política que aponte o tamanho da matriz energética brasileira", diz o presidente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool), Piero Vicenzo Parini. Segundo ele, é necessário saber o tamanho do mercado para que os investimentos ocorram. Para ele, o uso do milho como alternativa para gerar combustível é uma alternativa que poderia resolver a ociosidade das indústrias do estado.
 
Estima-se que mais de 20% da capacidade de produção das usinas de Mato Grosso não estejam em atividade. "Considerando um potencial de 18 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e uma produção atual de 14 milhões de toneladas, significa que temos espaço para expandir", pontua o diretor executivo do Sindalcool, Jorge dos Santos. Conforme ele, no país a ociosidade das indústrias é de 150 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Atualmente as unidades brasileiras produzem 520 milhões de toneladas de cana a cada safra.
 
Além de ocupar as indústrias, o uso do milho no setor de biocombustível iria resolver outro problema: o excesso do grão no mercado provocando a queda no preço do produto. "O custo de produção e o frete são problemas que fazem diminuir a renda do produtor", ressalta o presidente da Associação dos Produtores de Soja no Brasil (Aprosoja), Glauber Silveira. Ele pontua que é preciso aproveitar o potencial produtivo do país. "Só não produzimos mais por conta da falta de logística", informa.
 
Fonte: G1