Se Brasil não fizer lição de casa, economia pode piorar, indica BC Rebaixamento espelha fragilidade do governo, avalia equipe econômica, ministro Joaquim Levy (Fazenda) surpreendeu os tegrantes do CMN (Conselho Monetário Nacional) o se despedir deles na última reunião do ano, nesta quinta (17), informando que não estará presente no róximo encontro, no fim de janeiro. Folha ouviu o relato de dois participantes da reunião de ontem do CMN. Segundo eles, ao final do encontro, Levy desejou boas festas e bom final de ano a todos. Em seguida, afirmou que, pelas perspectivas, não estará mais presente na primeira reunião do próximo ano. 
Na interpretação dos presentes, o ministro, insatisfeito com os rumos da política fiscal do governo Dilma, praticamente oficializou sua saída do governo. Procurado, Joaquim Levy mandou dizer, por meio de sua assessoria, que revelar o que é dito dentro de reuniões do CMN é uma "infração funcional e que, por isso, não poderia nem confirmar nem desmentir" o teor de suas declarações. 
A fala de Levy pode precipitar a saída do ministro -a presidente planejava substituí-lo durante o mês de janeiro. Ela já havia, aliás, acertado com o próprio ministro uma saída negociada, para não gerar turbulências na economia. 
A Folha apurou que a presidente já começou a analisar nomes, mas ainda não externou nenhum. Ela quer alguém que transmita "esperança" de recuperação da economia brasileira. A saída de Levy ficou praticamente definida depois que ele entrou em novo choque com o governo, na definição da meta fiscal de 2016. Em conversas reservadas, o ministro da Fazenda vinha dizendo que, se a meta fosse reduzida, deixaria o governo. 
O tom de despedida adotado pelo ministro causou surpresa pela forma como foi manifestado, numa reunião com a presença de vários assessores. Mas a Folha apurou que a equipe da Fazenda já trabalhava com o cenário de uma saída até janeiro. Em viagem ao Rio, a presidente Dilma Rousseff foi informada da fala de seu ministro da Fazenda e, segundo assessores, manifestou reação de quem ficou incomodada com a atitude do auxiliar. A pedido da presidente, assessores procuraram checar se Levy realmente havia feito uma fala de despedida na reunião do conselho monetário, o que foi confirmado. Levy disse na noite desta quinta a interlocutores que estava contrariado com quem vazou a informação, mas considerava concluída sua missão no governo Dilma. Ele afirmou que o fim do ano legislativo abre para ele opções para definir o momento de deixar o governo, de preferência na virada do ano. 
CONSELHO 
  O CMN é o órgão superior do sistema financeiro brasileiro e é responsável por formular a política da moeda e do crédito. Atualmente, o conselho é composto pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, e o presidente do Banco Central. As reuniões do CMN são mensais e as decisões são regulamentadas por meio de resoluções divulgadas no Diário Oficial da União e na página de normativos do Banco Central.
 
Fonte: Folha de São Paulo