Num congresso marcado pela questão, ainda sem resposta, de como produzir carne de forma sustentável, a senadora e presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, teve a tarefa de apresentar o ponto de vista brasileiro sobre o tema, na quarta-feira, em Paris.

Com um mapa do Brasil ao fundo, mostrando as áreas ocupadas pela agropecuária e cheio de números, a senadora falou por pouco mais de 10 minutos, no Congresso Mundial da Carne, sobre os avanços do setor e aproveitou para alfinetar europeus, americanos e chineses, dizendo que o Brasil tem o código florestal "mais rigoroso do mundo".

"Temos muito orgulho deste mapa. Conseguimos, em 50 anos, construir uma das maiores agriculturas do planeta em apenas 27,7% do território nacional. Conseguimos preservar 61% dos nossos seis biomas", afirmou. Ela acrescentou que, desde 1940, o rebanho bovino aumentou em 400%, enquanto a área de pastagem avançou 80%.

A senadora disse que a preservação foi conquistada com vários instrumentos, "inclusive um código florestal, o mais rigoroso do mundo". "Fico imaginando como seria programar o Código Florestal na Europa, nos EUA, na China, qual seria a reação dos produtores desses países se enfrentassem a legislação que os brasileiros enfrentam", prosseguiu, com certa ironia.

Ela destacou as Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas margens dos rios previstas no novo Código Florestal. "Os produtores, dependendo do seu tamanho e da largura do rio, serão obrigados a retirar os alimentos ou pastagem plantados nas margens e substituí-los por florestas". "Fico imaginando se pedíssemos aos produtores às margens do Sena, do Tâmisa, do Reno e do Amarelo se todos tivessem de se afastar 100 metros de cada lado para a recomposição de florestas, sem nenhuma indenização".

A fala da senadora gerou certa polêmica. Quando afirmou ser "impossível" aumentar áreas de pastagens e grãos na Amazônia porque 86% desse território pertencem à União, a palavra "mentira" ressoou na plateia.
Fonte: Avicultura Industrial