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O produtor rural deve reduzir os investimentos em tecnologia na próxima safra. Um dos motivos é o aumento nas taxas de juros divulgado para o Plano Agrícola e Pecuário 2016/2017, que variam de 8,5% a 12,75% ao ano. O assunto foi discutido na Câmara Temática dos Insumos, em Brasília, nesta segunda-feira, dia 9.
Segundo o presidente do colegiado, Luiz Antonio Pinazza, as vendas do setor vêm caindo desde 2014, o que seria preocupante em razão de se tratarem de produtos de recomposição do solo, como corretivos e adubos. “Essa reposição não está sendo feita. Em médio prazo, nós vamos começar a sentir um resultado negativo”, diz Pinazza.
Ele calcula que a demanda por juros subsidiados chega a R$ 280 bilhões, enquanto o governo ofereceu nesta safra R$ 115 bilhões. Já as taxas livres de mercado podem chegar a 25% ao ano. “Começa a acender o sinal vermelho”, afirma o presidente da câmara de insumos.
O diretor-executivo da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja-Brasil), Fabrício Rosa, acredita que, apenas para a cultura da leguminosa, seriam necessários mais de R$ 110 bilhões. Isso significa, segundo ele, que os agricultores serão forçados a utilizar maior volume de recursos próprios, em um momento em que não há seguro para a safra.
“Você vai colocar esse produtor numa situação de altíssimo risco, está jogando o produtor na fogueira”, diz Rosa.
A opinião do diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Eduardo Daher, é de que o aumento dos juros não deve afetar os investimentos de forma acentuada. Segundo ele, o baixo uso de tecnologia não é uma estratégia que possa ser repetida continuamente. Daher afirma que, pelos dados de comercialização de fertilizantes e defensivos nos primeiros meses do ano, as condições estariam melhores do que em 2015. 
 
Fonte: Canal Rural