O presidente Jair Bolsonaro e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, preparam mudanças nas chefias de embaixadas e representações brasileiras no exterior que envolvem até 30 diplomatas. A dança das cadeiras no Itamaraty começa a ganhar contornos e abrange funções internacionais de primeira linha.
Uma das decisões tomadas é a indicação do embaixador Ronaldo Costa Filho para a missão junto às Nações Unidas, em Nova York. Visto pelos próprios colegas como um dos melhores quadros da diplomacia brasileira, Costa estava à frente da Subsecretaria-Geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty.

Ele já havia servido nas delegações do Brasil em Genebra, que atua na Organização Mundial do Comércio (OMC), e em Bruxelas, perante a União Europeia. Nos últimos anos, vinha sendo o negociador-chefe do país nas discussões para o acordo comercial UE-Mercosul. Outros diplomatas que ocupavam subsecretarias do ministério no governo Michel Temer estão com suas indicações acertadas. Henrique Sardinha, que respondia pela Ásia e pelo Pacífico, vai para a embaixada do Brasil no Vaticano. José Luiz Machado e Costa, antes responsável por África e Oriente Médio, será designado para Budapeste.

É um posto tradicionalmente pouco expressivo, mas que ganha importância com a aproximação entre Bolsonaro e o primeiro-ministro  da Hungria, Viktor Orbán. Também pertencentes à antiga cúpula do ministério, as embaixadoras Maria Dulce Barros e Gisela Padovan devem ser nomeadas para os consulados no Porto e em Madri, respectivamente. O embaixador Sérgio Danese, ex-secretário-geral e atualmente em Buenos Aires, continuará no cargo. Ele costurou pontes com a Casa Rosada, governadores de províncias argentinas e empresários locais.

A designação do general Sérgio Etchegoyen, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), chegou a ser especulada. Mas a permanência de Danese, um dos “medalhões” do Itamaraty e admirado por toda a casa, acalma os diplomatas desconfiados com eventuais indicações de pessoas fora da carreira. O futuro de três ex-chanceleres do governo petista de Dilma Rousseff está sendo decidido nos próximos dias. Mauro Vieira, último ministro de Dilma, foi chefe de Ernesto Araújo em Washington. Ele agora está na ONU – para onde vai Ronaldo Costa Filho.

Fonte – Jornal O Valor