Cada vez mais próxima, a efetiva reabertura do mercado da China à carne bovina brasileira despertou o interesse de investidores do país asiático em adquirir participações em frigoríficos de médio porte no Brasil. Estariam sendo feitas negociações com o mato-grossense Frialto. Emissários chineses também já sondaram o Frigol, de Lençóis Paulistas (SP).
 
Ao menos em um primeiro momento, a intenção dos investidores chineses é comprar uma fatia de cerca de 30% do capital de frigoríficos brasileiros, segundo fontes. O movimento é estimulado pela política de abastecimento de Pequim. Diante da crescente demanda por carne bovina, os chineses buscam garantir a oferta a partir do Brasil, maior exportador de carne bovina.
 
A exportação do produto do Brasil para a China está suspensa desde dezembro de 2012, por conta do registro de um caso “atípico” de vaca louca no Paraná. Em julho do ano passado, porém, o Ministério da Agricultura anunciou um acordo com o governo chinês para a reabertura do mercado. Mas a efetiva retomada das vendas ainda depende de um novo certificado sanitário.
 
A ofensiva dos chineses sobre os frigoríficos brasileiros é favorecida pela conjuntura. Do lado macroeconômico, o movimento global de fortalecimento do dólar que atingiu em cheio o real torna os ativos no Brasil mais baratos. Do lado setorial, os frigoríficos de médio porte estão mais fragilizados pela contexto de forte compressão de margens.
 
É nesse contexto que o fundo de private equity chinês CDH Investments, que gere uma carteira de US$ 14 bilhões, mantém conversas há pelo menos três meses com o Frialto. Representantes do fundo devem voltar ao Brasil em meados deste mês para uma nova rodada de conversas, segundo uma fonte a par do tema.
 
O CDH se tornou conhecido mundialmente em 2013, quando pagou US$ 4,7 bilhões para adquirir, por meio da chinesa Shuanghui (que agora se chama WH Group fez o IPO na bolsa de Hong Kong), a americana Smithfield Foods, tornando-se a maior produtora global de carne suína. Agora, o fundo volta as atenções para a carne bovina.
 
O Frialto não comentou a informação.
 
Outro alvo dos chineses é o Frigol, que tem unidades no Pará e em São Paulo. Executivos da empresa teriam sido assediados no mês passado por investidores chineses durante a Gulfood, maior feira de alimentação do Oriente Médio. O vice-presidente do Frigol, Luciano Pascom, negou que a empresa mantenha qualquer negociação com grupos chineses. Ele admitiu, porém, que poderia conversar sobre a possibilidade de receber um sócio estratégico.
 
Fonte: Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.