Embora analistas prevejam que o embargo do governo chinês aos produtos avícolas dos EUA (devido a registros de Influenza Aviária) possa beneficiar as exportações brasileiras, usando linguagem bem apropriada à avicultura “é melhor não contar com o ovo da galinha”. Para que não hajam frustrações como as observadas em relação às exportações para a Rússia no final de 2014.

Sem dúvida, a China vai continuar importando carne de frango. Porém – constatação número 1 – é preciso atentar para o fato de que, internamente, o consumo (de carnes avícolas em geral, não só da carne de frango; e, inclusive, o de ovos) vem sofrendo sensível redução em decorrência do número crescente de casos de Influenza Aviária. Não porque afetem as aves, mas por estarem, também, atingindo o homem.

Ontem, por exemplo, a imprensa local registrava mais uma vítima humana fatal, além de outras quatro infectadas pelo vírus, hospitalizadas em estado grave. Relatos do gênero têm afastado os consumidores e derrubado os preços de todos os tipos de aves, vivas ou abatidas. E como inúmeros restaurantes já interromperam o fornecimento de pratos à base de aves, o consumo e os preços caem drasticamente, sem que haja perspectiva de reversão da situação no curto prazo.

Além disso, porém, não se pode esquecer que o embargo chinês à avicultura norte-americana pode ter efeito prático nulo. Porque – constatação número 2 – os chineses têm outra porta sempre aberta: Hong Kong.

Em 2014, por exemplo, as exportações de carne de frango dos EUA para a China (dados até novembro) recuaram 12%, percentual que correspondeu a 15 mil toneladas a menos que em idêntico período de 2013. Enquanto isso os embarques via Hong Kong registraram incremento de 51,5%, implicando em um adicional de 33 mil toneladas.

E tal tipo de compensação – não necessariamente proporcional – está sendo observado também nas exportações brasileiras. Mas de maneira inversa à registrada nos EUA, pois o Brasil conseguiu a habilitação de novas plantas exportadoras no decorrer de 2014.

Como efeito, no mesmo período janeiro-novembro, as exportações brasileiras para a China aumentaram 18%, o que significou um adicional também próximo de 33 mil toneladas de carne de frango. Já os embarques para Hong Kong recuaram 6%, implicando em uma perda de 18,5 mil toneladas do produto.

Neste caso, quem perdeu? Nem Brasil, nem EUA. Pois ambos aumentaram seus embarques para o mercado chinês (diretamente ou através de Hong Kong) praticamente no mesmo volume. E isto pode se repetir no atual embargo da China à avicultura norte-americana, sem favorecimentos a este ou aquele fornecedor.
 
Fonte: Avisite