Indústrias que processam e exportam soja no Brasil podem ter margens de lucro perto de zero ou negativas neste ano, afetadas por elevados custos de logística, disse na quarta-feira (22/5) um representante do setor.

"Dependendo do tamanho dos problemas que as empresas tiveram no porto, a conta pode ser alta. Mas não acredito que serão prejuízos astronômicos. Vamos chegar muito perto de zero. Algumas (empresas) realmente podem ter complicações, porque foi realmente um custo que apareceu, caiu do céu", disse à Reuters o presidente do Conselho da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, Manoel Pereira.

O esmagamento e a exportação de soja no Brasil são dominados por gigantes globais, algumas de capital fechado, como a Cargill e a Louis Dreyfus , ou com ações negociadas na bolsa de Nova York, como a Archer Daniels Midland ou a Bunge, e nenhuma empresa do setor tem revelado publicamente os resultados operacionais em uma temporada marcada por fretes rodoviários mais caros, acesso complicado nos portos e fila de navios.

Uma safra recorde de soja está sendo finalizada no Brasil, estimada em mais de 80 milhões de toneladas, com exportações de 37 milhões de toneladas, segundo dados oficiais.

Pereira afirma que o principal problema nos últimos meses têm sido o custo de frete rodoviário, que subiu acima do esperado no segundo semestre, com a entrada em vigor da chamada Lei do Caminhoneiro, que restringiu a carga horária e, portanto, a disponibilidade de motoristas.

"Como as indústrias compraram antecipadamente a safra dos produtores, por volta de abril, maio, junho de 2012, nós já tínhamos adquirido grande parte da safra dos produtores. (…) Aquilo (alta no frete) que se previa em 15 por cento, passou para 30, 40 por cento. Consequentemente, esse prejuízo, quem levou, foram as indústrias."

Segundo Pereira, que responde pela diretoria de grãos da Algar Agro, as negociações de soja para a temporada 2013/2014, que começa a ser plantada em setembro e será colhida nos primeiros meses do ano que vem, estão lentas e os novos patamares de custos serão repassados aos produtores.

"Não há dúvida que daqui para a frente, isso (impacto dos custos) vai começar a ser repassado para preços. Tanto que você vê atualmente que a maior parte das indústrias está bem calma na questão das compras para 2014. Porque estão equacionando: a maior pergunta é qual será o preço do frete."
 
Fonte: Reuters