A Abiove, associação que representa as indústrias de óleos vegetais que atuam no Brasil, confirmou ontem as perspectivas de que a colheita de soja e as exportações do grão e seus derivados (farelo e óleo) alcançarão novos volumes recorde em 2016, mas também reforçou o cenário de queda dos preços internacionais desses produtos e, consequentemente, de nova retração da receita com os embarques.
Em relatório divulgado ontem, a entidade previu uma colheita de 98,6 milhões de toneladas de soja nesta safra 2015/16, que está em fase de plantio, acima das 97,8 milhões previstas no início de outubro. Se confirmado, o volume será 3,6% superior ao recorde de 2014/15 ­ cuja projeção também foi elevada, para 95,2 milhões de toneladas.
Para as exportações do grão, a Abiove acresceu 1 milhão de toneladas ao projetado em outubro, e o volume chegou a 53,8 milhões de toneladas ­ já acima das 53 milhões de 2014/15. O processamento doméstico, por sua vez, deverá ficar em 40,5 milhões de toneladas, à frente das 40 milhões estimadas anteriormente e das 40,1 milhões da temporada passada.
Com a perspectiva de esmagamento mais robusto, a Abiove elevou a previsão para a produção brasileira de farelo de soja de 30,3 milhões para 30,7 milhões de toneladas, superando as 30,4 milhões da temporada anterior. As exportações do derivado também foram revistas de 14,8 milhões para 15,2 milhões de toneladas.
No caso do óleo, a estimativa cresceu das quase 8 milhões de toneladas apontadas em outubro para 8,1 milhões. As exportações foram elevadas de 1,4 milhão para 1,5 milhão de toneladas na comparação. Em ambos os casos, os volumes projetados são superiores aos de 2014/15.
Apesar de os preços internacionais da soja e de seus derivados permanecerem em baixa, a previsão é de uma desaceleração da queda. Nas contas da Abiove, os embarques de grão, farelo e óleo deverão render US$ 24,8 bilhões em 2016, o mais baixo patamar desde 2011. O valor é 7,4% inferior ao projetado para 2015, mas o recuo é proporcionalmente menor, já que a queda deste ano em relação ao passado (US$ 31,4 bilhões) deverá ser e 21,2%.
Para a soja em grão, a Abiove prevê aumento nos embarques para 53,8 milhões de toneladas este ano, ante as 53 milhões estimadas para 2015. O preço médio deve cair de US$ 380 para US$ 350 por tonelada, resultando em uma redução de 6,5% na receita, para US$ 18,83 bilhões.
No farelo, o volume enviado pelo país ao exterior deverá permanecer em 15,2 milhões de toneladas em 2016, mas o preço médio da tonelada tende a cair para US$ 330. A expectativa da Abiove é que a receita total com o farelo some US$ 5 bilhões, 10,8% aquém deste ano. Já as exportações de óleo de soja deverão crescer de 1,4 milhão para 1,5 milhão de toneladas, mas a receita tende a ficar 6,3% abaixo de 2015, em US$ 911 milhões.
 
Fonte: Valor Econômico