A Associação Brasileira de Reciclagem Animal – ABRA realizou no último dia 15 o II Painel novos Horizontes para a Reciclagem Animal durante a Feira da Indústria Latino-Americana de Aves e Suínos – Avesui em Florianópolis, Santa Catarina.
 
Neste ano o painel teve como tema “Coleta e Processamento de Mortalidade em Granjas de Aves e Suínos”, que atraiu grande público, entre representantes de grandes empresas produtoras de aves e suínos, pequenos e médios produtores, médicos veterinários, zootecnistas, e representantes governamentais, entre outros que conferiram as apresentações alinhadas dos quatro palestrantes que chamaram atenção do benefício da coleta e processamento de animais que morrem de causas naturais.
 
A abertura do II Painel Novos Horizontes para Reciclagem Animal foi feita com o discurso do presidente da ABRA, Sr. Clênio Gonçalves, que ressaltou a importância do tema escolhido para a cadeia produtiva de carnes e também para as indústrias de Reciclagem Animal “Esse tema deve estar nas pautas para discussão. Hoje temos um projeto piloto que está nos mostrando resultados. É um grande benefício para o produtor de aves e suínos e para o setor de Reciclagem Animal”.
 
As palestras foram abertas com a apresentação do Sr. José Eduardo Borges Malheiros, diretor da ABRA que citou os dados do setor, as principais destinações das farinhas e gorduras de origem animal e sobre o trabalho que a ABRA vem desenvolvido em benefício do setor.
 
O Sr. José Eduardo também explicou a importância da definição de uma identidade para o setor. “Hoje nós buscamos firmar conceitualmente essa nova identidade do setor que é uma indústria de Reciclagem Animal. Buscando soluções em comum para todos os associados e consequentemente para todo o setor” afirmou.
 
O Sr. Gláucio Mattos, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Aves e Suínos falou sobre as novas tecnologias disponíveis ao suinocultor e avicultor que solucionam parcialmente os casos de mortalidade em grande escala.
 
O Sr. Mattos ainda chamou atenção para os números da produção de aves e suínos no Brasil e também para a mortalidade anual de aves e suínos. Os dados são baseados no Relatório da Ordem de Serviço 68 – OS 68 da Embrapa, que aponta que o Brasil é o 3º maior produtor e exportador de carne de frango e o 4º maior produtor e exportador de carne suína.
 
Já os números em relação à mortalidade desses animais são alarmantes. Segundo o Sr. Mattos, anualmente morrem cerca de 258 milhões de frangos de cortes e em relação aos suínos a mortalidade gera 20 milhões de toneladas.
 
 O Sr. Mattos apresentou como solução parcial para o problema a incineração e também tecnologias para a compostagem, porém foi enfático ao dizer que apesar da eficiência dessas técnicas, elas não são suficientes para atender a demanda de resíduos gerados com a mortalidade. O Pesquisador lamentou o fato da legislação brasileira não considerar a coleta e processamento de animais de corte mortos por causa natural como alternativa para os resíduos da cadeia produtiva de carnes. Para ele, esta seria uma solução ainda mais sustentável e que melhor atenderia as necessidades dos produtores desses animais. “A retirada de animais nas granjas é viável e necessária. Já que na prática não tem como destinar uma mortalidade de grande porte, uma mortalidade catastrófica aquelas situações. O que se vê é que o animal fica morto, então o urubu dissemina mais as rentes, ou então os animais carnívoros. Eu acho que a gente não pode continuar com os olhos fechados para essa situação, teremos que abrir, justamente com o intuito de preservar a sanidade, a biosseguridade. Riscos? tem. Mas, nós temos que tentar amenizar esses riscos, talvez o risco maior seja não fazer nada” concluiu.
 
A terceira apresentação foi feita pelo Dr. Stefan Rohr, médico veterinário da Integrall Soluções em Produção Animal que falou da situação real das granjas de suínos. Em sua apresentação, o Dr. Rohr mostrou as dificuldades que os suinocultores têm em lidar com grande volume de mortalidade nas granjas. Segundo ele, falta estrutura e mão de obra qualificada para o manejo na mortalidade.
 
Para ele, a coleta e processamento de mortalidade nas granjas também é a solução mais viável. Nos últimos meses, o médico veterinário tem acompanhado um projeto piloto de uma empresa que processa a mortalidade de uma granja de suíno, mortos por causas naturais transformando-os em farinhas e gorduras de origem animal.
 
O Dr. Rohr disse que através da experiência, a empresa empreendedora tem obtido melhores resultados em níveis de proteínas nas farinhas de origem animal. Ele também considera a coleta e o processamento dessa mortalidade como um processo seguro, a partir do momento em que haja investimentos na conservação e transporte desses cadáveres como tem acontecido no projeto piloto. Para ele, tanto as indústrias de Reciclagem Animal quanto os suinocultores lucrariam mais através desse procedimento. “Os suinocultores tem um produto para os produtores de farinhas e gorduras que agregará mais qualidade aos produtos já disponíveis hoje”.
 
A quarta e última palestra foi ministrada pelo Sr. Lucas Cypriano, coordenador técnico da ABRA que falou sobre a legislação internacional da Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos e União Europeia para a Coleta e Processamentos de mortalidade. Ele afirma que os processos que são usados em outros países poderiam ser usados no Brasil.
 
Para o Sr. Cypriano, esse é o momento de apresentar essa prática como solução, já que ainda não é regulamentada e que tem o projeto piloto que está sendo executado como um caso de sucesso.
 
O Sr. Cypriano ainda afirma que com a coleta e processamento da mortalidade em granjas todos os lados saem ganhando, assim como o produtor de aves e suínos, como o produtor de farinhas e gorduras animais e também o meio ambiente.  “A coleta e processamento em granjas é um jogo de ganha-ganha. É bom para o suinocultor que receberá pela venda dos animais e também para os produtores de farinhas de origem animal que terão uma disponibilidade de uma matéria prima de excelente qualidade resultando em um produto final com valor agregado. Levando ainda em consideração que resolveremos um problema ambiental, onde não haverá urubus, e nem pragas urbanas para disseminação de bactérias e contaminação no solo, água e ar”.
 
O painel foi finalizado com o debate promovido entre os palestrantes e os congressistas. 
 

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