Técnicos do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) aplicaram uma multa de R$ 22 mil a um frigorífico próximo ao Núcleo Rural do Pipiripau, em Planaltina, após constatarem um derramamento de restos de abate de animais dentro do Córrego do Pipiripau. O rio abastece diretamente as regiões administrativas de Sobradinho e Planaltina, principalmente para agricultura. O Ibram também advertiu a empresa para a regularização ambiental da atividade realizada. Caso o problema volte acontecer, o empreendimento poderá ser fechado.

 
Segundo a equipe técnica, ocorreu o rompimento da chamada “linha vermelha”, nome popular para o cano que conduz o sangue até as lagoas de depuração, local por onde a água passa por um processo de limpeza.
 
De acordo com o Ibram, a empresa frigorífica possuí licença ambiental para funcionamento, mas a autorização de funcionamento do local encontra-se em fase de renovação. Após o ocorrido, serão exigidas medidas complementares no processo de licenciamento para evitar que, na ocorrência de novos acidentes, sejam despejados dejetos ou substâncias diretamente nas águas.
 
Restos de animais na água
 
O vazamento foi filmado no último sábado (11/8) por moradores da região, que denunciaram o frigorífico. No fim de semana, havia um forte odor no local e partes de animais abatidos desciam pelo curso da água. O agricultor Robson Duarte, 18 anos, trabalha na região do frigorífico e percebeu o problema no domingo. "Fedia muito e o rio estava irreconhecível. Era como se fosse uma cachoeira de sangue", disse.
 
O gerente da empresa, Vigilato Francisco Neto, afirma que o erro já foi solucionado. "Nunca havia estragado nada, mas essas manilhas existem desde a época da construção de Brasília e o desgaste pode ter sido o desgaste."
 
Segundo o coordenador de Fiscalização de Recursos Hídricos da Adasa, Hudson de Oliveira, o caso foi um acidente, já que a empresa possuí sete bacias para despejar os dejetos nos lugares corretos e não precisaria utilizar o córrego. "A princípio, o desastre não causou grandes prejuizos, já que a quantidade despejada no local não é tão grande e como o córrego é de água corrente, o material despejado será diluido nos próximos dias," explicou.
Fonte: Correio Braziliense