Conheça os dados do IBGE para abate de bovinos no 4T14 e no ano de 2014. Informações muito interessantes para se conhecer o mercado do boi gordo brasileiro.
I – Produção Animal no 4o trimestre de 2014
1. Abate de animais
1.1 – Bovinos
No 4o trimestre de 2014 foram abatidas 8,525 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária. Esse valor foi 0,7% maior que o registrado no trimestre imediatamente anterior (8,470 milhões de cabeças) e 4,1% menor que o registrado no 4o trimestre de 2013 (8,888 milhões de cabeças). O Gráfico I.1 mostra que o abate de bovinos ao longo de 2014 ficaram bem distribuídos entre os trimestres, entre 8,4 e 8,5 milhões de cabeças.
 
Como não há variações acentuadas no peso médio das carcaças, sobretudo em nível nacional e entre os mesmos períodos do ano, a série histórica do peso acumulado de carcaças por trimestre (Gráfico I.2) segue o mesmo comportamento da série do abate de bovinos.
A produção de 2,059 milhões de toneladas de carcaças bovinas no 4o trimestre de 2014 foi 0,9% maior que a registrada no trimestre imediatamente anterior (2,040 milhões de toneladas) e 3,7% menor que a registrada no 4o trimestre de 2013 (2,138 milhões de toneladas). No 4o trimestre de 2014 o peso médio das carcaças foi de 241,5 kg/animal, no mesmo período do ano anterior foi de 240,5 kg/animal, diferença de 1,0 kg ou de 0,4% em relação ao 4o trimestre de 2013.
 
Em nível nacional, o abate de 362.704 cabeças de bovinos a menos no 4o trimestre de 2014, na comparação com igual período do ano anterior, teve como destaque: Mato Grosso (-88.428 cabeças), Rondônia (-74.926 cabeças), São Paulo (-51.916 cabeças), Goiás (-45.186 cabeças) e Tocantins (-35.405 cabeças). Parte desses decréscimos foi compensado por aumentos em outras Unidades da Federação, sobretudo no Pará, onde foram abatidas 43.115 cabeças a mais. No ranking nacional do abate de bovinos (Gráfico I.3), Mato Grosso continua seguindo na liderança, seguido por Mato Grosso do Sul e São Paulo.
 
A série histórica da participação de machos e fêmeas no abate total de bovinos (Gráfico I.4) mostra aumento de 0,5 pontos percentuais na participação de fêmeas no comparativo dos 4os trimestres 2014/2013. Também mostra que é geralmente no último trimestre do ano quando ocorre a menor participação de fêmeas no abate total.
 
A oferta restrita de animais para reposição e abate, decorrente, dentre outros fatores, da seca prolongada iniciada no final de 2013, contribuíram marcadamente para o aumento dos preços pagos aos pecuaristas. Além do impacto sobre a engorda dos animais, a estiagem prolongada também pode afetar a capacidade reprodutiva das matrizes e o desenvolvimento de bezerros.
Segundo o indicador Esalq/BM&F Bovespa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – Cepea, as médias mensais dos preços da arroba bovina de janeiro a dezembro de 2014 mantiveram-se mais altas que nos respectivos meses de 2013 (Gráfico I.5). A partir de 4 de novembro todos os preços, levantados quase que diariamente pelo Cepea, ultrapassaram a casa dos R$ 140,00/@, sendo alcançando o valor recorde de R$ 145,48/@, em 27 de novembro de 2014.
 
A alta dos preços da arroba bovina também foi sentida pelo consumidor final. De acordo com o IPCA/IBGE (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o indicador oficial da inflação brasileira, todos os cortes de carne bovina acompanhados pela Pesquisa apresentaram aumentos de preços em 2014 muito acima do índice geral de inflação (Gráfico I.6). Os maiores aumentos médios dos cortes de carne bovina foram verificados nos meses de novembro e dezembro de 2014, impulsionados, sobretudo, pelo forte incremento do preço da arroba bovina no período e do recorrente aumento da procura de carne bovina para as festas de final de ano.
 
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no 4o trimestre de 2014, houve decréscimo tanto em volume como em faturamento da carne bovina in natura exportada, nos comparativos com o 3o trimestre de 2014 e com igual período do ano anterior (Tabela I.1). O preço médio da commodity aumentou 5,2% no comparativo anual e recuou 0,3% no comparativo com o trimestre anterior.
 
Hong Kong (23,2% de participação), Egito (19,0%), Rússia (18,6%), Venezuela (16,0%), Chile (3,8%), Itália (3,0%), Argélia (1,7%), Holanda (1,5%), Angola (1,4%) e Irã (1,4%) foram os dez principais destinos da carne bovina in natura brasileira, respondendo juntos por 89,6% da carne exportada no 4o trimestre de 2014. Nesse período, 69 países importaram o produto do Brasil.
Participaram da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, no 4o trimestre de 2014, 1.230 informantes de abate de bovinos. Dentre eles, 216 possuíam o Serviço de Inspeção Federal (SIF), 393 o Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e 621 o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), respondendo, respectivamente, por 78,7%; 15,8% e 5,5% do peso acumulado das carcaças produzidas. Todas as UFs apresentaram abate de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária.
2. Aquisição de Couro
No 4o trimestre de 2014, os curtumes investigados pela Pesquisa Trimestral do Couro – aqueles com aquisição de pelo menos 5.000 unidades inteiras de couro cru bovino por ano – declararam ter recebido 8,789 milhões de peças inteiras de couro cru de bovino. Esse valor foi 4,6% menor que o registrado no trimestre imediatamente anterior e 8,4% menor que o registrado no 4o trimestre de 2013. Quanto à origem couro, a maior parte teve procedência de matadouros e frigoríficos, seguida pela prestação de serviços, respondendo juntos por 91,3% do total apurado no 4o trimestre de 2014 (Tabela I.11).
 
Quanto à participação das Unidades da Federação no total do couro cru adquirido, Mato Grosso, o líder absoluto no abate de bovinos, continuou liderando o ranking nacional no 4o trimestre de 2014 (Tabela I.12).
 
No 4o trimestre de 2014, foram curtidas 8,888 milhões de peças inteiras de couro cru, representando quedas de 3,6% e 7,3% em relação ao total industrializado no trimestre imediatamente anterior e no 4o trimestre de 2013, respectivamente. O quantitativo de 99.315 peças de couro industrializadas a mais que a quantidade de peças de couro adquiridas, no 4o trimestre de 2014, teve origem dos estoques dos curtumes.
O principal método utilizado para o curtimento foi ao cromo (96,81%), seguido pelo tanino (3,15%) e outros métodos de curtimento (0,04%). O cromo foi utilizado nas 20 Unidades da Federação descritas na Tabela I.11. O tanino foi utilizado em Santa Catarina (com 29,8% do total do couro curtido ao tanino), Paraná (29,0%), Rio Grande do Sul (19,9%), São Paulo (10,4%), Minas Gerais (8,7%), Pernambuco (1,7%) e em Rondônia (0,4%). Outros métodos de curtimento do couro foram utilizados apenas em Pernambuco (63,9%) e no Piauí (36,1%).
A diferença entre o total de peças inteiras de couro cru de bovino adquirido pelos curtumes (Pesquisa Trimestral do Couro) e a quantidade de bovinos abatidos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária (Pesquisa Trimestral do Abate de Animais) pode ser entendida como uma proxy do abate não-fiscalizado. Contrastando as séries históricas dessas duas variáveis (Gráfico I.14) é possível verificar que essa diferença tem diminuído, chegando ao patamar de 3,0% da aquisição total de couro, no 4o trimestre de 2014.
 
Participaram da Pesquisa Trimestral do Couro, no 4o trimestre de 2014, 116 curtumes. Não existem estabelecimentos elegíveis ao universo da pesquisa nas seguintes Unidades da Federação: Amazonas, Amapá, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
II – Produção Animal no acumulado do ano de 2014
1. Abate de animais 1.1 – Bovinos
Em 2014, foram abatidas 33,907 milhões de cabeças de bovinos no Brasil sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária (Gráfico II.1). Esse valor foi 1,5% menor que o recorde histórico alcançado no ano anterior (34,412 milhões de cabeças).
 
Por não haver variações acentuadas no peso médio das carcaças de bovinos, sobretudo em nível nacional e no acumulado do ano, a série histórica anual do peso acumulado das carcaças segue o mesmo comportamento da série do abate de bovinos (Gráfico II.2). A produção de 8,063 milhões de toneladas de carcaças bovinas em 2014 foi 1,3% menor que o recorde histórico alcançado no ano anterior (8,167 milhões de toneladas).
 
Em 2014, o peso médio das carcaças bovinas foi de 237,8 kg/animal; sendo 0,5 kg maior que o de 2013. Aumento justificável pela redução na participação de fêmeas (ou aumento da participação machos, que em geral são mais pesados) no abate total de bovinos, quebrando a série de três anos consecutivos de aumentos na participação de fêmeas no abate total (Gráfico II.3).
 
O abate de 505.271 cabeças de bovinos abatidas a menos em 2014, em relação a 2013, teve com destaque as seguintes Unidades da Federação (UFs) em ordem de maior diminuição: Mato Grosso (-485.631 cabeças), Rondônia (-285.062), Mato Grosso do Sul (- 165.049), Goiás (-56.380), Piauí (-43.524) e Tocantins (-40.915). Entretanto, parte dessas diminuições foram compensadas por aumentos na quantidade de cabeças abatidas em outras UFs, com destaque a: Minas Gerais (+190.143 cabeças), Pará (+176.792), Maranhão (+113.357), Espírito Santo (+60.904) e Bahia (+60.902). O Estado do Mato Grosso, mesmo apresentando queda de 8,3% no abate de bovinos, continuou sendo com folga líder absoluto no ranking de abate de bovinos em 2014 (Gráfico II.4).
 
Os preços no mercado bovino atingiram recordes em todos os elos da cadeia produtiva em 2014. Entre outros fatores, a seca ocorrida desde o final de 2013, prejudicando o desenvolvimento das pastagens e o desempenho dos rebanhos em diversas regiões produtoras, gerou aumento nos custos de produção dos bovinos e redução na oferta de bezerros para reposição e animais em terminação. Esse quadro se refletiu no aumento dos preços da arroba pagas ao produtor e, consequentemente, nos preços dos cortes bovinos ao consumidor final. Os aumentos nas exportações e nos preços internacionais da carne bovina também contribuíram para impulsionar o aumento dos preços no mercado interno.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 2014, as exportações brasileiras de carne bovina in natura aumentaram 3,7% e 8,1%, respectivamente, em quantidade e faturamento, comparativamente ao ano anterior (Tabela II.1). O preço médio das exportações (US$ FOB/kg 4.718) aumentou 4,3% em relação ao de 2013 (US$ FOB/tonelada 4.524). Rússia (25,3% de participação), Hong Kong (20,5%), Venezuela (13,9%), Egito (12,5%), Irã (5,0%), Chile (4,4%) e Itália (2,3%) foram os principais destinos da carne bovina in natura brasileira, totalizando juntos 83,8% do volume exportado em 2014. O bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina foi favorecido pela reabertura do mercado chinês e pelo embargo russo às importações da carne da União Européia, da Austrália e dos Estados Unidos.
 
Segundo o indicador ESALQ/BM&F Bovespa do Cepea, o preço médio da arroba bovina em 2014 foi de R$ 126,29, variando de R$ 112,64 a R$ 145,48. No ano anterior, o preço médio foi de R$ 102,64, variando de R$ 97,02 a R$ 114,79. No comparativo 2014/2013, o preço médio da arroba aumentou 23,04%.
De acordo com o IPCA/IBGE (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o indicador oficial da inflação brasileira, em 2014, os preços de todos os cortes bovinos pagos pelo consumidor subiram muito acima do índice geral da inflação (Gráfico II.5).
 
Participaram da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, na média dos quatro trimestres de 2014, 1.242 informantes de abate de bovinos. Dentre eles, 217 possuíam o Serviço de Inspeção Federal (SIF), 401 o Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e 624 o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), respondendo, respectivamente, por 78,9%; 15,6% e 5,5% do peso acumulado das carcaças produzidas. Todas as UFs apresentaram abate de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária.
2. Aquisição de Couro
Em 2014, os curtumes investigados pela Pesquisa Trimestral do Couro – aqueles com aquisição de pelo menos 5.000 unidades inteiras de couro cru bovino por ano – declararam ter recebido 36,380 milhões de peças inteiras de couro cru de bovino. Esse valor foi 5,3% menor que o registrado no ano anterior. Quanto à origem couro, a maior parte teve procedência de matadouros e frigoríficos, seguido pela prestação de serviços, que responderam juntos por 90,9% do total das aquisições em 2014 (Tabela II.3).
 
Quanto à participação das Unidades da Federação no total do couro cru adquirido, Mato Grosso, o líder absoluto no abate de bovinos, continuou a liderar o ranking nacional da aquisição de couro em 2014 (Tabela II.11).
 
Em 2014, foram industrializadas 36,488 milhões de peças inteiras de couro cru, representando queda de 4,7% em relação ao total industrializado em 2013. O quantitativo de 108.212 peças de couro industrializadas a mais, que a quantidade de peças adquiridas em 2014, foi procedente dos próprios estoques dos curtumes.
O principal método utilizado para o curtimento foi ao cromo (95,32%), seguido pelo tanino (3,84%) e outros métodos de curtimento (0,83%). O cromo foi utilizado nas 20 Unidades da Federação (UFs) descritas na Tabela II.11. O tanino foi utilizado em nove dessas UFs: Paraná (com 35,4% do total do couro curtido ao tanino), Santa Catarina (26,8%), Rio Grande do Sul (17,2%), São Paulo (9,4%), Minas Gerais (7,7%), Mato Grosso do Sul (1,6%), Pernambuco (1,4%), Rondônia (0,3%) e Goiás (0,2%). Outros métodos de curtimento foram utilizados em quatro UFs: Mato Grosso do Sul (78,9%), Goiás (12,3%), Piauí (6,1%) e Pernambuco (2,8%).
A diferença entre o total de peças inteiras de couro cru de bovino adquirido pelos curtumes (Pesquisa Trimestral do Couro) e a quantidade de bovinos abatidos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária (Pesquisa Trimestral do Abate de Animais) pode ser entendida como uma proxy do abate não-fiscalizado. Contrastando as séries históricas dessas duas variáveis é possível verificar que essa diferença tem diminuído ao longo dos anos (Gráfico II.13), alcançando em 2014 a menor diferença percentual (6,8%), em relação a aquisição total de couro.
 
Responderam à Pesquisa Trimestral do Couro, na média dos quatro trimestres de 2014, 118 curtumes. Não existem estabelecimentos elegíveis ao universo da pesquisa nas seguintes Unidades da Federação: Amazonas, Amapá, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
II – TABELAS DE RESULTADOS – BRASIL
Tabela III.1 – Abate de Animais, Aquisição de Leite, Aquisição de Couro e Produção de Ovos de Galinha – Brasil – trimestres selecionados de 2013 e 2014
 
 
III.2 – Abate de Animais – Brasil – 2013 e 2014
  

 
 
 
 
 
 III.4 – Aquisição de Couro Cru Bovino – Brasil – 2014
 

IV – TABELAS DE RESULTADOS – UNIDADES DA FEDERAÇÃO – 4o TRIMESTRE
IV.1 – Abate de Animais – Unidades da Federação – 4os trimestres de 2013 e 2014
 
IV.3 – Aquisição de Couro Cru Bovino – Unidades da Federação – 4os trimestres de 2013 e 2014
 
V – TABELAS DE RESULTADOS ANUAIS POR UNIDADE DA FEDERAÇÃO
V.1 – Abate anual de Animais – Unidade da Federação – 2013 e 2014
 
V.3 – Aquisição anual de Couro Cru – Unidade da Federação – 2012 e 2013
 
Fonte: IBGE.