A lagarta helicoverpa, que causou prejuízos nas lavouras na última safra, segue sendo a principal preocupação dos produtores de soja para a safra 2014/2015. O presidente da Aprosoja Brasil, Glauber Silveira, cobra uma ação mais rápida do governo federal, em relação à liberação do uso de defensivos químicos para combater a praga. 

A soja é o carro-chefe das exportações do agronegócio. Só em 2013, as receitas com exportação geraram mais de US$ 22 bilhões e houve exportação recorde de mais de 40 milhões de toneladas de grãos. Segundo Silveira, mesmo assim, houve problemas com o alto custo de produção.

– Realmente os custos foram muito altos, em torno de 31% a mais a nível de Brasil, considerando a safra 2012/2013, agora passando 2013/2014. Nós tivemos,  no caso da Bahia, 200% de incremento de custo com relação à safra anterior. O custo de fertilizantes subiu 15%.  De uma maneira global, tivemos 31% de aumento de custo, o que é bastante de custo de produção, dentro da porteira. Sem falar no custo também de frete, que cresceu muito em virtude de todos os problemas de logística que aconteceram na safra passada – afirma.

De acordo com Silveira, esse aumento se deve ao uso de mais defensivos agrícolas e, em grande parte, se deve ao abuso de algumas empresas.
– Tem produto que custava US$ 120 por quilo ou litro, e agora está custando US$ 240, US$ 250, ou seja, 100% de aumento. Sem falar na quantidade de aplicações que o produtor teve que fazer também. Em Mato Grosso, Piauí, Tocantins, Maranhão, Bahia, o crescimento de custo com defensivos ficou acima de 150%. Em nível global, em relação à safra anterior, nós tivemos aumento de 81% no custo de defensivos agrícolas no Brasil. É um custo muito alto e que preocupa muito. Se não tiver eficiência e controle, esse custo realmente é um problema – relata.

Para 2014, em termos de produtividade, mercado e custos de produção, Silveira espera redução nos custos. Para ele, essa safra deve ser maior que a anterior e o Brasil deve colher entre 86 e 88 milhões de toneladas.
– Espero que o governo faça as políticas necessárias para que possa ter fertilizantes mais competitivos. Tivemos evoluções em relação a algumas quebras de monopólio dos fertilizantes. Foi o caso da Rússia, mas com relação aos defensivos, o governo deve fazer uma ação realmente muito positiva para que coíba o aumento de preço e tenha o maior número disponível para manejo adequado da helicoverpa. Isso nos preocupa muito, o fungicidade é uma grande preocupação. Estamos com dificuldade para o controle da ferrugem. O governo liberou  um produto novo, mas precisamos de moléculas mais competitivas para ter uma safra 2014/2015 mais tranquila. Essa safra está nos deixando muito apreensivos – declara.

Um número cada vez maior de Estados está conseguindo emergência fitossanitária. Isso pode facilitar a importação de defensivos químicos para combate à helicoverpa. Segundo Silveira, o governo já deveria ter feito um decreto de emergência nacional. 

– Já está constatado que a helicoverpa está em todos os Estados brasileiros. Essa morosidade tem preocupado muito os produtores e tem causado prejuízos. Esse aumento de 200% pode-se dizer que 100% se deve a pouca eficiência do governo, pouca urgência em tomar uma atitude correta. Nós temos no Rio Grande do Sul um problema que o pessoal não sabe como fazer para decretar emergência, ou seja, o governo já deveria ter decretado – diz.
 
 
Mercado internacional
 
 
Conforme o presidente da Aprosoja Brasil, a China deve continuar sendo o principal mercado destino das nossas exportações. Só em 2013, o Brasil pode fechar o ano com 44 milhões de toneladas.
 
– Estamos exportando mais. A China tem sido um grande comprador, vai comprar na próxima safra talvez 70 milhões de toneladas. O Brasil hoje é o maior fornecedor, exportador de soja. 60% dessa soja vai para a China. Agora não é só a China, a Ásia também é um player importante – afirma.
 
De acordo com o especialista, nos próximos cinco anos, o Brasil terá a Índia entrando nesse processo de importação de soja, como a China entrou no processo de importação de milho.
 
– Temos cenários positivos. É claro que há dificuldades, por ineficiência da logística, mas temos um mercado promissor. Em 2014, precisamos botar esse processo nos trilhos, para não descarrilar e que possamos tirar benefício de tudo isso – ressalta.
 
Fonte: Canal Rural