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O alvo são pecuaristas que não viveram a realidade da doença no estado. O último caso confirmado de febre aftosa no Estado de São Paulo ocorreu em março de 1996. Na época, a doença levou ao fechamento de fronteiras comerciais e a prejuízos milionários para a cadeia produtiva. Atualmente, sem registrar nenhum foco há duas décadas e com o status sanitário restabelecido – de área livre de aftosa, com vacinação -, a preocupação do governo estadual é não deixar que pecuaristas esqueçam o estrago que a doença pode provocar para o setor. E continuem vacinando.
 
"Há no mercado, hoje, muitas pessoas que não passaram por isso (pela crise da ocorrência da doença). Assim, temos uma preocupação em lembrar qual pode ser o impacto", afirmou o coordenador do Programa Estadual de Erradicação da Febre Aftosa, Hugo Riani.
 
São Paulo, assim como outras regiões brasileiras, finalizaram nesta semana a primeira fase da campanha de vacinação. O objetivo é imunizar todos os bovídeos e bubalinos de até 2 anos. Para isso, os produtores deverão comprovar a vacinação até 7 de junho, de forma online ou presencial, nos Escritórios de Defesa Agropecuária. A segunda fase terá início em novembro, e contemplará animais de todas as idades.
 
Segundo Riani, até o momento, a adesão está de acordo com o registrado no ano passado, embora tenha crescido a procura pelas declarações online. A valorização do dólar ante o real, registrada desde o segundo semestre de 2015, teve pouco efeito no valor da vacina – custeada pelo criador -, segundo Riani. Como boa parte do produto é feita no Brasil, o custo da aplicação por animal se manteve entre R$ 1,50 e R$ 2. 
 
Segundo o coordenador, atualmente o risco de reincidência da doença em São Paulo está na entrada de animais vivos e de carne com osso contaminados. "O Brasil tem uma divisa seca muito grande e, por isso, acompanhamos de perto a situação dos países vizinhos", afirmou. Além do exterior, a defesa agropecuária também acompanha os outros Estados brasileiros. Entre 2005 e 2006, com a ocorrência da doença em Mato Grosso do Sul e no Paraná, São Paulo perdeu US$ 1 bilhão com exportações, segundo o governo paulista. 
 
O acompanhamento dos vizinhos é feito também para o planejamento na busca pelo status de região livre de aftosa sem vacinação, na Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). "Atualmente, há um estudo sendo feito em conjunto, pela USP e pelo Ministério da Agricultura", afirmou Riani. Recentemente, o Paraná também começou a discutir a possibilidade de se tornar livre de aftosa, sem vacinação. 
 
Isolamento 
 
Segundo Riani, não seria vantajoso para São Paulo conseguir esta garantia sozinho. "A partir do momento em que tiver este status, o estado não vai poder mais receber animais de outras regiões", afirmou. Isso prejudicaria a cadeia produtiva, já que a pecuária paulista depende de animais (recria, engorda e abate) de outras áreas do País. 
 
Atualmente, o único estado brasileiro que é reconhecidamente livre de aftosa sem vacinação é Santa Catarina. No âmbito nacional, o Ministério da Agricultura pretende imunizar cerca de 170 milhões de bovinos e bubalinos contra a doença. A vacinação é obrigatória para todos os animais, independentemente da idade, no Distrito Federal e nos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins. 
 
Nos Acre, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, Rondônia e São Paulo, os produtores vão vacinar apenas animais com idade até 24 meses. Em Roraima, deverá ser realizada a vacinação de todo o rebanho bovino e bubalino. Em Mato Grosso do Sul, o trabalho deve ser concluído até 15 de junho. 
 
Fonte Canal Rural