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 Uma montanha russa é a melhor imagem para ilustrar o mercado de exportação da carne brasileira este ano. Enquanto o volume embarcado de carne de frango e bovina sobe, a de suíno recua. A expectativa é que os solavancos diminuam em 2015, quando as vendas externas devem crescer de 2% na carne suína chegando a cerca de 10%, na bovina, sobre 2014. Em um prazo de seis anos, o horizonte se mostra ainda mais animador: estudo da Ministério da Agricultura, Pecuária Abastecimento (Mapa) estima que até 2020 a carne brasileira suprirá 44,5% do mercado mundial. Essas estimativas indicam que o Brasil se firmará ainda mais na posição de líder em embarques mundiais de carnes bovina e de frango.

Os índices estão, praticamente, em linha com as projeções divulgadas por entidades representativas do setor, referentes a 2014. As exportações de carne bovina, por exemplo, estão estimadas em 1,58 milhão de toneladas, resultado 4,4% superior ao de ano passado, de acordo com os dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). O faturamento previsto é de aproximadamente US$ 7,28 bilhões, montante inferior à previsão inicial do setor, que era alcançar US$ 8 bilhões, neste ano. Mesmo assim, o resultado é recorde e representa um crescimento de 8,6% na comparação com os US$ 6,7 bilhões arrecadados em 2013.

Nos primeiros 11 meses do ano as vendas externas de proteína bovina – carne in natura, miúdos, tripas, industrializados e salgados – somam US$ 6,5 bilhões, valor que já representa um aumento de 8,1% ante o mesmo período do ano passado. Em volume, os embarques até novembro chegam a 1,42 milhão de toneladas, alta de 3,6% na mesma base de comparação.

Para a Abiec, 2015 terá embarques recordes em receita e volumes, de US$ 8 bilhões e 1,7 milhão toneladas, respectivamente. "A retomada de importantes mercados como a China, que suspendeu o embargo; e Irã e Egito, que ainda mantinham embargo para carne proveniente do Mato Grosso; bem como as perspectivas positivas para o anúncio do fim do embargo da Arábia Saudita e do Japão, permitem manter uma previsão muito boa para 2015", diz Antônio Jorge Camardelli, presidente da Abiec.

Números apresentados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) dão conta de que, apesar de queda no volume no embarque de carne suína, a receita ficou mais gorda. Já as exportações de frango, por exemplo, cresceram 2,4% entre os meses de janeiro e novembro – para 3,65 milhões de toneladas – sobre igual intervalo do ano passado.

Em receita, houve redução de 1%, segundo a mesma comparação, chegando a US$ 7,27 bilhões. As vendas externas de carne suína, por sua vez, somaram 455,82 mil toneladas e receita de US$ 1,48 bilhão, queda de 5 % no volume, porém elevação acentuada de 17,9% no valor, na comparação com os onze primeiros meses de 2013.

Com 172,97 mil toneladas, a Rússia liderou o ranking dos importadores do produto, neste ano, chegando a 37,9%, alta de 101,50% entre os meses de janeiro a novembro sobre período anterior, atingindo US$ 766,03 milhões. "Temos certeza de que o desempenho que se vê com a Rússia vai se repetir no próximo ano", diz Rui Vargas, vice-presidente de suínos da ABPA.

Na prática, nuvens negras escurecem o cenário do mercado russo, que atravessa uma crise econômica aguda provocada pela queda nos preços do petróleo e forte desvalorização do rublo, o que ameaça reduzir as compras de carne bovina brasileira em até 20%.
 
Fonte: Valor Econômico