Não serão criados novos subsídios ou mecanismos de equalização de taxa de juros para os créditos que forem feitos com os cerca de R$ 72,4 bilhões pagos pelo Tesouro Nacional ao BNDES, Banco do Brasil, Caixa e para o FGTS a título das "pedaladas".
Esses recursos poderão impulsionar a oferta de crédito das instituições citadas acima, com os juros subsidiados das linhas existentes. Por exemplo, o BNDES desse total recebeu R$ 30 bilhões e opera com a TJLP que hoje é de 7,5% ao ano para uma taxa Selic de 14,25%.
"Isso já é da regra do jogo", observou uma fonte da área econômica, ao enfatizar que o governo não pretende inventar uma linha de financiamento com novos subsídios. De qualquer forma, mais empréstimos com base na TJLP significam mais despesas com subsídios. 
O mesmo se aplica à Caixa que recebeu R$ 1,5 bilhão e deverá usar esse dinheiro para financiar a fase três do programa Minha Casa, Minha Vida. As novas condições do programa habitacional para a faixa mais baixa de renda devem mudar, mas ainda não está decidido se a prestação do financiamento subirá de R$ 25 para R$ 75 ou R$ 80. Haverá aumento da prestação mas nãode forma tão agressiva, na avaliação de assessores do Ministério da Fazenda. 
Para quitar as "pedaladas" até o ano passado foram pagos ainda R$ 18 bilhões para o Banco do Brasil e R$ 22 bilhões para o FGTS, cujos recursos deverão, nesse último caso, ser usados para financiar a área habitacional, dando maior fôlego à indústria da construção civil. Mas, como reiterou a fonte, sem inventar novos subsídios. 
O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, não será pródigo em distribuição de incentivos ou benefícios fiscais, informou um assessor da Fazenda. Não há recursos disponíveis no Tesouro Nacional para tanto. 
A área econômica, porém, não tem claro se haverá demanda para uma maior disponibilidade de crédito, ainda mais sabendo que esses serão recursos, apesar de juros subsidiados, não serão baratos para as empresas. 
Barbosa terá que apresentar, após o Carnaval, o decreto de contingenciamento do Orçamento para cumprir a meta de superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A queda adicional dos preços das principais commodities que o Brasil exporta, como visto nos últimos dias em função da desaceleração da economia da China, só piora a situação fiscal do país.
Com menos receitas as empresas pagarão menos impostos. O mês de janeiro, para a arrecadação, está se mostrando mais do mesmo. A receita com impostos e contribuições prossegue em queda. 
Ao mesmo tempo que busca credibilidade, Barbosa também quer um voto de confiança dos seus pares mais próximos. Para isso terá uma agenda de encontros com economistas em São Paulo nesta semana, provavelmente amanhã. O ministro deverá se encontrar com Luiz Gonzaga Belluzzo e Delfim Netto, mas também está programando reuniões com os principais representantes dos grandes bancos. 
Uma ala mais liberal do PT avalia que a gestão de Nelson Barbosa à frente da política econômica será conservadora. "Se não for por convicção será pela escassez de dinheiro no caixa da União", disse uma fonte do partido. O ano, com os temores vindos da China, ameaça ser mais duro do que se prevê agora e não permitirá mudança relevante de rota da linha ortodoxa para um viés mais desenvolvimentista, avaliam fontes do PT.
 
Fonte: Valor Econômico