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Iniciou nesta semana a suspensão dos abates de frango e dos contratos de trabalho de cerca de 600 funcionários da Globoaves em Lindóia do Sul, por um período de até cinco meses. A suspensão já estava prevista pois foi negociado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Concórdia e Região (Sintrial).
 
A medida necessitava da aprovação dos funcionários para se enquadrar no ¿lay-off¿, recurso jurídico que permite que os trabalhadores sejam encaminhados para cursos de qualificação, com recursos do seguro-desemprego, sem perder o vínculo com a empresa.
 
A secretária financeira do sindicato, Janete Fracasso, disse que a medida não é o ideal para os trabalhadores, que vão receber cerca de 80% da média dos últimos três meses, mas é o que era possível para evitar demissões.
 
O gerente da unidade, Cláudio Martini, disse que alguns trabalhadores dever receber 100% do salário. A empresa tomou a medida em virtude da crise do milho, esperando que a situação melhore ao longo destes cinco meses, para retomar o abate. Ele informou que a agroindústria também vai negociar com os cerca de 90 integrados para resolver as pendências. A unidade abatia 50 mil frangos por dia. Ficarão apenas cerca de 15 pessoas fazendo a manutenção do frigorífico.
 
Aurora inicia férias coletivas
 
Outra agroindústria que adotou medidas para manter os empregos é a Aurora Alimentos. Nesta segunda-feira 532 funcionários da unidade de Abelardo Luz iniciaram férias coletivas por um mês. Em agosto entram em férias mais 613 funcionários. O abate, que é de 134 mil aves por dia, vai cair pela metade nestes dois meses.
 
Consumo caiu e custo subiu
 
O problema das agroindústrias é que o custo subiu, pela alta do milho, energia e mão-de-obra, e o consumo caiu, pelo desemprego no Sudeste.  De acordo com o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados (Sindicarne) e Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Ricardo Gouvêa, muitas famílias substituíram produtos de maior valor agregado, como presunto, frango empanado e linguiças frescais, por produtos mais baratos, como frango in natura e mortadela. Com isso as empresas precisam reduzir a produção de alguns produtos que não estão vendendo, dando férias coletivas ou remanejando funcionários. 
 
Para piorar a queda do dólar, que chegou próximo de R$ 3,20, vai diminuir a margem de lucro nas exportações, que vinham crescendo em virude do câmbio. Só no suíno a exportação aumentou 60% nos primeiros cinco meses. Já o milho começa a cair no mercado, em virtude da segunda safra no Centro-Oeste.
 
Fonte Diário Catarinense