Os planos do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém acendeu o sinal de alerta na Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), entidade com sede na capital de São Paulo que representa no Brasil os interesses comerciais da Liga dos Estados Árabes, bloco que reúne 21 países

Eventual mudança da embaixada brasileira significaria um alinhamento com Israel e um duro golpe para a Palestina, que tenta evitar que outros países, além dos Estados Unidos, reconheçam Jerusalém como a capital de Israel. Nessa disputa, os palestinos têm apoio dos países que compõem a liga, entre os quais Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Argélia, Líbano e Iraque. No total, apontam estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) compiladas pela CCAB, as exportações brasileiras para os 22 países da liga se aproximaram de US$ 14 bilhões em 2017. A pauta é formada principalmente por produtos agropecuários como carnes bovina e de aves e açúcar – quase 90% das importações de carne de frango da Arábia Saudita, por exemplo, são oriundas do Brasil. “Essa mudança [da sede da embaixada] significaria, no mínimo, um ruído em uma relação comercial que tem sido amigável e marcada por confiança mútua. Se de fato se concretizar, alguns importadores poderão começar a procurar substitutos aos fornecedores brasileiros e, em último caso, poderão erguer barreiras contra produtos brasileiros”, afirmou Rubens Hannun, Presidente da CCAB, ao Valor. Segundo Hannun, a entidade já está em contato com a equipe do presidente eleito para apresentar um estudo sobre a importância das relações comerciais entre o Brasil e os países árabes atualmente e o forte potencial de crescimento dessa “parceria”. Hannun lembra que não é apenas o fluxo comercial atual que está em jogo. Há potencial para que o Brasil amplie suas exportações aos países árabes – inclusive de itens de maior valor agregado, como produtos halal de higiene pessoal, por exemplo – e para esses países ampliarem seus investimentos no mercado brasileiro.

Fonte: VALOR ECONÔMICO