Frigoríficos de Mato Grosso – estado que concentra o maior rebanho bovino do país – já sentem os impactos provocados pela paralisação dos servidores do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea), deflagrada na segunda-feira (8). A maior parte das 40 plantas em funcionamento começa a paralisar os abates porque não há animais suficientes. Prejuízo que diariamente pode superar R$ 30 milhões afirma o presidente do Sindifrigo, Luis Antônio de Freitas.
 
Estima-se, segundo o segmento, que pelo menos 16 mil bovinos deixem de ser abatidos por dia nas unidades frigoríficas do estado. A operação não ocorre porque sem a emissão da Guia de Transporte Animal (GTA) não há como destinar o gado das propriedades até as empresas. "A grande maioria das empresas já não consegue embarcar os bois e a partir desta quarta-feira o abate fica comprometido. De amanhã está totalmente comprometido. Não há saída pois sem a GTA não existe a possibilidade de abater. É um grande prejuízo", disse Luis Freitas ao G1.
 
Com a interrupção no abate de animais o fornecimento de carne aos mercados interno e externo também será comprometido, lembra Freitas. "O setor paga um preço muito caro", disse o representante.
 
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Agrícola, Agrário e Pecuário do Estado de Mato Grosso (Sintap), Diany Dias lembra que a categoria cobra mais condições de trabalho e não uma revisão salarial.
 
"Só estamos atendendo feiras agropecuárias, leilões, as vaqueijadas e as cavalgadas que já foram programadas. A emissão de GTA só acontece nesses casos", ponderou a presidente do sindicato. A interrupção inicialmente programada para quatro dias pode ser prolongada caso as negociações com o governo não avancem.
 
O Indea é a autarquia responsável pelas ações de defesa sanitária nas áreas animal e vegetal. Conforme o Sintap, 666 servidores atuam no Instituto de Defesa Agropecuária em Mato Grosso, mas até o final do ano o número deve cair para 532 em função das aposentadorias, como estima o sindicato. Ao todo, 138 municípios são atendidos por meio de bases ou unidades instaladas em diferentes municípios do estado.
 
A paralisação atinge as unidades locais executivas, unidades regionais de surpevisão, central do Indea e laboratórios do Instituto. "Não temos sequer água nas unidades e estamos jogados às traças. Infelizmente vamos atingir a população, mas sentimos na pele a falta de estrutura de investimento e a ausência de recursos humanos", citou Diany.
 
A Secretaria de Estado de Administração (SAD) informou, por meio da assessoria de imprensa, que o governo mantém o diálogo com os servidores e se comprometeu a solucionar o impasse. Conforme a secretaria, o estado contatou empresas fornecedoras para que reestabeleçam o fornecimento de materiais [de expediente] às unidades do Indea, além do pagamento das diárias atrasadas.
 
Entidades
 
As entidades vinculadas ao setor produtivo manifestaram-se favoráveis às cobranças por mais estrutura aos servidores do Indea. Ao Sintap, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) solicitou a manutenção dos serviços essenciais, como a emissão da Guia de Transporte de Animais, que normatiza o embarque e desembarque de bovinos.
 
"A ausência destes serviços ou o desempenho destas funções de forma precária podem comprometer a segurança sanitária de Mato Grosso", alertou o diretor de Relações Institucionais da Famato, Rogério Romanini.
 
Já a Associação dos Criadores de Mato Grosso informou, em nota, não ter sido oficialmente comunicada sobre a greve dos trabalhadores do setor agropecuário e a paralisação nos abates.
 
"A Acrimat espera que haja entendimento entre as partes antes que prejuízos sejam causados ao setor e aos consumidores com o desabastecimento de produtos e elevação de preços", manifestou a associação que congrega os pecuaristas mato-grossenses.
 
Abates
 
Em oito meses, Mato Grosso abateu 3,6 milhões de animais, volume 14% acima frente ao mesmo período de 2011, apontou um balanço do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Somente em agosto houve queda de 6% no ritmo frente ao mês anterior e de 2% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
 
FOnte: Globo Rural