Partindo de um índice “100” em janeiro de 2011, o gráfico abaixo retrata a evolução mensal do abate de frangos em estabelecimentos sob inspeção (dados do IBGE), segundo o número de cabeças abatidas e o volume de carne decorrente desses abates, entre janeiro de 2011 e junho de 2012.

 
De imediato, o que chama a atenção no gráfico é o comportamento oposto dos dois itens avaliados, fato ressaltado pelas linhas de tendência. Ou seja: ainda que o número de cabeças abatidas apresente propensão ao decréscimo (e foi, efetivamente, o que ocorreu no segundo trimestre de 2012), o volume de carne de frango proporcionado por esses abates segue crescente.
 
Isso, naturalmente, não é surpresa para ninguém, pois resulta apenas do melhoramento genético a que o frango é continuamente submetido. Mas também demonstra que, sob determinadas condições de mercado, não basta apenas uma redução no número de cabeças criadas e abatidas, é preciso agir também sobre o fator que determina o peso final, neste caso, o tempo de criação.
 
Em maio deste ano, por exemplo (áreas assinaladas), o número de cabeças abatidas no mês caiu quase 1% em relação ao que foi registrado um ano antes, em maio de 2011 (pouco mais de 450 milhões de cabeças em valores absolutos). No entanto, o volume de carne resultante desses abates foi, neste ano, cerca de 4% maior e correspondeu a um novo recorde histórico nos levantamentos do IBGE.
 
Portanto, se as condições de mercado são desfavoráveis e se torna necessário readequar o volume ofertado a uma demanda mais restrita, não basta somente reduzir o volume alojado, é preciso também encurtar o tempo de criação. A menos que, por exemplo, se utilize uma ração menos rica (e mais barata) que conduza a um peso final menor sem afetar a relação custo/benefício original.
 
Porém, o mais interessante em toda essa história é a demonstração de que, mesmo com a queda no volume alojado, continua sendo possível produzir bem mais. E essa, provavelmente, é a principal lição que a avicultura de corte precisa tirar do presente episódio. Vira e volta aparece alguém se jactando de que vai aumentar o alojamento aqui ou o abate ali. Mas o que tem aumentado, na verdade, é o desperdício, pois o potencial instalado vem tendo aproveitamento cada vez menor. Será que não é chegada a hora de inverter o jogo e procurar tirar mais do menos?
 

 
Fonte: Avisite