O Brasil deverá voltar à primeira posição no ranking dos maiores exportadores de carne bovina no mundo este ano, graças ao câmbio que melhora a competitividade do país e às restrições enfrentadas por seus concorrentes para ampliar a oferta, disse o diretor-técnico da Informa Economics FNP,  José Vicente Ferraz.
Pela estimativa da consultoria, o Brasil poderá chegar à primeira posição com um embarque de 1,465 milhão de toneladas equivalente carcaça, à frente da Austrália (1,38 milhão de toneladas) e dos Estados Unidos (1,25 milhão de toneladas). No ano passado, o Brasil ficou em segundo lugar, com 1,322 milhão de toneladas embarcados, atrás da Austrália (1,35 milhão de toneladas), mas ainda um pouco à frente dos Estados Unidos (1,24 milhão de toneladas).
 
O levantamento leva em conta os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
 
Ferraz observa ainda que os principais concorrentes terão dificuldades para ampliar a oferta nesta ano. Os Estados Unidos devem ter baixa disponibilidade, depois do grande abate de animais que reduziu o rebanho ao menor nível em mais de 50 anos, e da manutenção do consumo no país. Já a Austrália, diz ele, teria custos elevados se optasse por expandir sua produção por causa de uma seca endêmica que afeta o país, o que a faria perder competitividade no mercado externo.
 
O cenário interno também apresenta uma expectativa positiva, com o consumo aumentando mesmo diante da desaceleração econômica do Brasil vista neste primeiro semestre, por causa de uma mudança estrutural neste mercado. A Informa aponta um crescimento de 2,3% no consumo de carnes no Brasil em 2012, para 97,5 kg por pessoa no ano, sendo puxada pela carne de frango (mais 4%), por de bovino (mais 3%).
 
O diretor-técnico da Informa ressalta que não se trata de movimento pontual, mas é fruto de mudanças de hábitos de consumo, culturais, de incremento da renda, da demografia, entre outros. Segundo ele, estas mudanças geram um dilema para a cadeia produtiva, que tradicionalmente já vive impasse entre pecuaristas e a indústria frigorífica, que brigam para conseguirem os melhores valores para os seus negócios.
 
Este cenário, diz ele, torna necessária uma aproximação destes elos da cadeia. “O que antes parecia uma utopia, agora virou necessidade: integrar a cadeia”, avaliou. Grandes frigoríficos, JBS, Minerva e Marfrig, começaram a criar divisões de relacionamento com pecuaristas, com intuito de estreitar os vínculos com seus fornecedores.
 
Sobre a perspectiva da indústria frigorífica de início de um ciclo de baixa no boi gordo, por conta da maior disponibilidade para abates, Ferraz levanta dúvidas sobre a extensão deste recuo. ”Temos visto muitos pecuaristas saindo ou transferindo expressivas parcelas (de suas propriedades) para a agricultura”. Ele pondera que a rentabilidade do setor está boa, com a arroba acima de 90 reais base São Paulo, valor acima da média histórica em torno de 75 reais para o período.
 
Neste cenário, a tendência era de que o pecuarista elevasse o investimento, mas a opção pela agricultura – por sua rentabilidade ainda maior – pode levar a alguma liquidação do rebanho e interferir no volume de animais para abate e nos preços.
 
Fonte: Reuters, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.