Estudo inédito da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) prevê uma retração de 1,7% da economia brasileira neste ano, cenário mais pessimista do que o esperado pelos economistas e instituições financeiras ouvidos pelo Banco Central, que apontam uma queda de 0,83% em 2015.
 
O documento, apresentado nesta segunda-feira (23) pelo diretor Paulo Francini (Pesquisas e Estudos Econômicos), prevê ainda que o PIB tenha ficado estável em 2014, com leve retração de 0,1%.
 
No governo, os técnicos estimam encolhimento da economia entre 0,5% e 1%.
 
A indústria, segundo a Fiesp, sofrerá o maior tombo em 2015, com uma retração prevista de 4,5%, após uma queda estimada em 1,8% no ano passado. Dentro do setor industrial, o da transformação, representado pela entidade, deve ficar negativo em 4,9% neste ano, pior do que o esperado para 2014 (-3,7%).
 
As previsões da Fiesp foram analisadas pela entidade na semana em que o IBGE divulgará, na próxima sexta-feira (27), o resultado do comportamento do PIB do ano passado. O governo espera que ele tenha ficado positivo, mas abaixo de 0,5%.
 
O documento da Fiesp aponta como causas para a forte retração prevista para este ano o "expressivo ajuste fiscal" do governo, a crise da Petrobras, o forte aumento dos preços administrados e o aperto monetário promovido pelo Banco Central, que reduziu a concessão de crédito.
 
A queda de investimento da Petrobras, segundo os técnicos da entidade, dará uma das maiores contribuições para o encolhimento da economia brasileira.
 
Responsável por mais de 10% do investimento brasileiro, a estatal sofre com as denúncias da Operação Lava Jato, com a queda no preço do petróleo e com a valorização do dólar.
 
Por sinal, o estudo da federação indica que a taxa de investimento do país terá uma forte redução, de 8,4%, neste ano, aprofundando um resultado que também deve ter sido bem negativo no ano passado (-7,5%, nas previsões da entidade industrial).
 
Os cálculos da Fiesp, feitos com base na análise de dados econômicos antecedentes e entrevistas diretas com empresas filiadas, não levam em conta cenários de racionamento de energia e água.
 
Ou seja, a queda do PIB brasileiro pode ser ainda pior caso não chova o suficiente até o fim de abril para dar uma margem de segurança nos reservatórios das usinas hidrelétricas do país.
 
Caminho errado
 
As previsões sombrias da Fiesp, segundo dirigentes industriais, mostram que o governo Dilma está optando pelo caminho errado ao adotar medidas que elevam a tributação do setor, como na desoneração da folha.
 
No caso da indústria, a alíquota de contribuição previdenciária pode subir de 1% para 2,5% sobre o faturamento caso seja aprovado o projeto enviado na última sexta-feira (20) ao Congresso.
 
Durante a reunião da entidade, seu presidente, Paulo Skaf, disse que fará o que for preciso para tentar derrubar a proposta do governo.
 
Fonte:  Folha de SP