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Falta no Brasil e no mundo um código agroambiental que permita aos produtores crescerem com estratégia, afirmou nesta terça-feira (19/6) o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, nomeado recentemente embaixador especial da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para o cooperativismo mundial.

"O avanço é notável, mas falta estratégia, falta liderança e essa falta é global … o mundo não tem rumo", disse Rodrigues, que também é coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, em evento paralelo à Rio+20 sobre segurança alimentar.

Rodrigues defendeu que o código para o agronegócio reúna regras para a integração de tecnologias, adoção de assistência técnica para agricultores, certificação, rastreabilidade, preços, pesquisa, entre outras questões.

"Os números mostram que a agricultura está explodindo … a falta de estratégia leva a crescimento desordenado", acrescentou.

A ideia tem simpatia do diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Eduardo Soares de Camargo, um dos representantes do setor que estiveram presentes ao evento no Forte de Copacabana.

"A postura brasileira sempre foi a de defesa, mas aqui é diferente, os modelos têm que ser globais", disse Camargo, referindo-se também a propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Índice de desenvolvimento sustentável

Também presente ao seminário, a senadora e presidente da CNA, Kátia Abreu, defendeu a criação de um índice para o desenvolvimento sustentável do setor, que funcione como o IDH (índice de Desenvolvimento Humano), que é uma taxa de referência para medir a evolução de indicadores sociais em todo o mundo. O índice de desenvolvimento rural será lançado formalmente após a Rio+20.

"Estamos acabando de formatar esse índice que pode ser usado em âmbito mundial para facilitar as políticas públicas, direcioná-las", disse a senadora. "São quatro pontos: economia, meio ambiente, social e mercadológica social", acrescentou.

A ideia do índice é também possibilitar a abertura de mercados para países que adotam práticas ambientais corretas.

"Não precisaremos desmatar mais porque a área que temos aberta dá para implementar tecnologia e ainda dobrarmos, triplicarmos nossa produção de carne e grãos usando a tecnologia que já temos hoje. Só não o fizemos porque isso requer recursos. A ONU impôs recomendação que em 2050 temos que ampliar em 40 por cento nossa produção. Estamos tranquilos em relação a isso", afirmou ela.

Fonte: Reuters. Por Sabrina Lorenzi. 19 de junho de 2012/Scot Consultoria