Skip to main content

Colheita de soja: alta na demanda chinesa estimulou a antecipação de vendas até a safra de 2022 Dirceu Portugal/Fotoarena

Ao completarmos um ano do primeiro caso de Covid-19 em Wuhan, que gerou recessão no Brasil e no mundo, o agronegócio brasileiro se apresenta como exemplo de resiliência e produtividade, ao garantir o abastecimento doméstico e assumir um papel cada vez mais importante na segurança alimentar do mundo emergente.

Uma projeção do Insper Agro Global mostra que as exportações do agronegócio brasileiro devem chegar a US$ 100,4 bilhões em 2020, com um crescimento de 3,5% em relação à 2019. Os embarques deste ano devem menores apenas do que o valor observado em 2018 (US$ 101,3 bilhões), que foi o maior valor da série histórica.

O bom desempenho do agronegócio brasileiro pode ser explicado por fatores como o impacto da desvalorização do real, a resiliência da cadeia logística e de suprimentos do agro, a maior demanda chinesa em função da crise de peste suína africana (PSA) naquele país e o surpreendente aumento de demanda por alimentos na maioria dos países emergentes e em desenvolvimento.

A desvalorização do real frente ao dólar, que chegou a alcançar 45% esse ano, aumentou a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

O melhor funcionamento da cadeia logística deve-se aos investimentos que permitiram a consolidação de grandes corredores logísticos intermodais que ligam o centro-oeste (principalmente o Mato Grosso) ao porto de Santos por ferrovias e em direção ao Arco do Norte, por rodovias e hidrovias.

A soja, principal produto exportado pelo Brasil, deve atingir embarques próximos a US$ 35 bilhões em 2020. Tal número pode ser explicado pela recuperação do rebanho suíno na China após a PSA devastar mais de 40% do rebanho. Essa rápida recuperação deve-se também à mudança no modelo de produção de suínos naquele país, com a troca forçada da produção de “fundo de quintal” por fazendas com produção de “fundo de quintal” por fazendas com produção fechada e controlada, de alta tecnologia. Está mudança levará a um aumento da demanda por soja e milho importados nos próximos anos.

Já no mercado de carnes, os impactos imediatos da PSA na demanda asiática por proteína animal, a abertura de quase 100 novos mercados para produtos do agro (novos países, novos produtos e habilitações de plantas agroindustriais) na gestão da Ministra Tereza Cristina e sua equipe contribuíram fortemente para o bom desempenho das exportações brasileiras deste produto. Considerando as três carnes (bovina, frango e suína), estima-se que 2020 atinja valores próximos a US$ 16,5 bilhões, um crescimento de 4% quando comparado com 2019. Estima-se um crescimento nas carnes bovina e suína de 13% e 42% respectivamente, ambas atingindo o recorde histórico de valor exportado. Já no caso da carne de frango, infelizmente, observamos um recuo de 15% nas exportações em relação à 2019.

A exportação sucroenergética apresentará um fabuloso crescimento de 63% em relação à 2019, e deve se aproximar da marca de US$ 10 bilhões em 2020 (mas abaixo do recorde histórico de US$ 16 bilhões em 2011). Contribuiu para esse crescimento uma safra de cana-de-açúcar mais “açucareira”, estimulada pela redução no consumo de etanol durante a pandemia e pela maior demanda asiática após a quebra da safra da Tailândia.

Em relação aos destinos das exportações, a China e Hong Kong, que são os nossos principais parceiros desde 2013, foram os maiores responsáveis pelo crescimento dos embarques. Estima-se que o crescimento dos embarques. Estima-se que o crescimento em 2020 será próximo de 9% em relação à 2019, atingindo US$ 36 bilhões em valor exportado (36% do total).

Também merece destaque pelo forte crescimento das exportações brasileiras, em relação a 2019, o Sudeste Asiático (+30%), o Sul da Ásia (+32%) e a África Subsaariana (+14%).

Para a União Europeia, segundo maior destino, estima-se ligeira redução em relação à 2019, com embarques próximos a US$ 16,4 bilhões. A maior redução estimada entre os parceiros comerciais do Brasil em 2020 é para Japão e Coréia do Sul (Leste da Ásia exceto China e Hong Kong), que caem cerca de 10%.

Verificou-se que os meses de abril a julho, período de pico da pandemia, foram os que tiveram os maiores crescimentos nos valores exportados em relação aos valores observados nestes mesmos meses e anos anteriores, inclusive de 2018 que teve o recorde histórico.

Finalmente, cabe destacar que o crescimento das exportações para China-HK, ASEAN e Sul da Ásia reitera a importância dos países asiáticos no comércio do agronegócio brasileiro, que cresceram 13% em relação a 2019, ao passo que as exportações para os países desenvolvidos caíram 4%. A pandemia mostra com clareza o papel do Brasil no suprimento de commodities dos países emergentes do Hemisfério Oriental, puxado pelo crescimento populacional, de renda per capita e urbanização desta região do planeta.

 

Fonte: Jornal dia a dia