As exportações de carne suína tomaram um novo ritmo. Nas duas primeiras semanas deste mês, as vendas externas somaram 2.200 toneladas por dia útil, volume 31% superior ao de igual período de julho e 33% maior que o de agosto de 2011.

 
A melhora nas vendas externas, principalmente para a Argentina, ocorre porque o país retomou as importações de carne brasileira. O acordo do mês passado prevê pelo menos a manutenção das importações de julho de 2011 pelo país vizinho, segundo Pedro de Camargo Neto, da Abipecs (entidade do setor).
 
O preço da carne suína exportada pelo Brasil subiu para US$ 2.578 por tonelada nos dez primeiros dias úteis deste mês, acima do de julho, mas ainda inferior ao de agosto de 2011, segundo informações da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
 
A elevação interna dos custos de produção, somada ao aumento das vendas externas nas últimas semanas, permitiu a recuperação dos preços do suíno no mercado paulista. Negociada a apenas R$ 35 há um mês, a arroba já está sendo comercializada a R$ 67, segundo pesquisa da Folha.
 
O frango também tem recuperação interna de preços, embora as exportações deste mês apresentem recuo de 15%. Em média, saíram 10,8 mil toneladas de carne frango "in natura" por dia até 10 deste mês, no valor médio de US$ 1.775 por tonelada.
 
O preço interno da ave viva foi a R$ 2,35 por quilo, ontem, um preço recorde que ocorre devido à necessidade de os produtores reporem os altos custos atuais e à melhora na procura por carne, segundo Heloísa Xavier, analista da Jox Assessoria Agropecuária.
 
A carne bovina se mantém estável no mercado interno, enquanto as exportações recuaram 7% neste mês em relação a julho.
 
Ressaca 1 Os preços das commodities agrícolas caíram ontem em Chicago. A elevação de preços, provocada pela seca nos Estados Unidos, está forçando a redução de demanda, segundo analistas do setor. Com isso, os preços caem.
 
Ressaca 2 As quedas de preços se estenderam também para a Bolsa de commodities de Nova York, onde são negociados açúcar, café, algodão e cacau. Os dois últimos lideraram as quedas, com recuo de 2%. O açúcar, com a melhora de ritmo da safra brasileira, caiu 10% em 30 dias.
 
Ritmo forte Os bons preços externos e a demanda mundial aquecida por milho, depois da forte quebra de produção nos Estados Unidos, abriram as portas para as exportações brasileiras, segundo dados da Secex.
 
Quanto exporta Nos oito primeiros dias úteis deste mês, as vendas externas de milho somaram 94 mil toneladas por dia, 42% mais do que em igual período de 2011. As exportações mantêm os preços internos aquecidos, mesmo com a safra recorde.
 
MENOR OFERTA DE GRÃOS ELEVA O CUSTO DA PRODUÇÃO DE LEITE
 
O reflexo da menor oferta de grãos chega aos custos do leite, que estão em alta.
 
Em junho do ano passado, os produtores conseguiam comprar uma tonelada de farelo de soja, produto importante na composição da alimentação dos animais, com 733 litros de leite.
 
Em junho último, necessitavam de 1.224 litros de leite, segundo acompanhamento de preços do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em sete dos principais Estados.
 
Os produtores perdem margem no período, pagando mais pelos custos de produção e recebendo menos pelo leite. No primeiro semestre, o desembolso para a produção subiu 4,3% em relação a 2011, enquanto as receitas subiram 1% no período.
 
Os custos com a alimentação concentrada foram os destaques, com alta de 7% em junho, segundo o Cepea.
 
Fonte: Jornal Floripa