As exportações do agronegócio nos primeiros sete meses deste ano atingiram o recorde de US$ 58,874 bilhões, desempenho 9,5% (US$ 5,12 bilhões) superior ao registrado de janeiro a julho do ano passado. O setor foi responsável por 44% das vendas externas brasileiras ao longo deste ano e teve contribuição importante para atenuar o déficit da balança comercial. Enquanto o agronegócio teve superávit de US$ 49,04 bilhões, os demais segmentos da economia tiveram saldo negativo de US$ 54,03 bilhões. O déficit da balança comercial brasileira no acumulado deste ano ficou em US$ 4,989 bilhões, considerado o pior resultado para o período na série histórica.
 
No balanço divulgado nesta terça-feira (13) sobre o desempenho do comércio externo do agronegócio, os técnicos da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura destacam que alguns produtos foram responsáveis pelo aumento da receita das exportações, principalmente o complexo soja (mais US$ 2,71 bilhões), seguido do milho (mais US$ 1,69 bilhão), complexo sucroalcooleiro (mais 1,04 bilhão) e carnes (mais US$ 862 milhões).
 
Sem fazer menção aos problemas logísticos enfrentados no escoamento da safra no primeiro trimestre, como as longas filas de navios nos principais portos, os técnicos do governo destacam que o aumento de US$ 5,12 bilhões nas vendas externas neste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, se deve à exportação de 14 milhões de toneladas a mais de milho, soja e açúcar.
 
O estudo mostra que os cinco principais setores exportadores do agronegócio neste ano foram: complexo soja (US$ 21,26 bilhões, mais 11,4%); carnes (US$ 9,59 bilhões, mais 9,9%); complexo sucroalcooleiro (US$ 7,42 bilhões, mais 16,3%); produtos florestais (US$ 5,49 bilhões, mais 3,7%); e cereais, farinhas e preparações (US$ 3,24 bilhões, mais 72,6%). Segundo os técnicos, os cinco setores ampliaram a participação no total exportado do agronegócio, passando de 76,9% do total nos primeiros sete meses do ano passado para 79,8% neste ano.
 
A forte demanda chinesa impulsionou as exportações da soja em grão, cujas vendas cresceram 15,5% em volume e atingiram 31,7 milhões de toneladas. Além do incremento do volume exportado, os preços de exportação do grão também subiram 3%. No caso do farelo, a queda de 14,1% no volume embarcado foi compensada pelo aumento de 20,6% nos preços médios. Já as exportações de óleo de soja tiveram forte queda de 40,5% em volume e 45% em valor.
 
O balanço das exportações de proteínas animais mostra que houve aumento das vendas de carne de frango (+9,5%), carne bovina (+15,3%) e carne de peru (+3,95), enquanto as de carne suína recuaram 4,9% no período.
 
No complexo sucroalcooleiro, as exportações de açúcar foram responsáveis por 86,5% das vendas do setor, atingindo US$ 6,42 bilhões. O volume exportado de açúcar cresceu 41,1%. Apesar da queda de 18,8% no preço médio, o valor das exportações subiu 14,6%. O estudo mostra que as exportações de etanol também tiveram forte expansão de 28,8%, para US$ 996 milhões. O volume exportado de etanol cresceu 48,6%, o que compensou a queda de 13,3% no preço médio.
 
O setor que ocupa a quarta posição nas exportações do agronegócio é o florestal, cujas vendas externas neste ano somaram US$ 5,49 bilhões. Segundo os técnicos, as vendas de papel e celulose no acumulado deste ano somaram US$ 4,08 bilhões (+4,9%) e as de madeiras e suas obras foram de US$ 1,4 bilhão (+3,1%).
 
O setor de cereais, farinha e preparações vem ganhando destaque na balança comercial brasileira por causa das exportações de milho. No período de janeiro a julho as vendas externas do setor somaram US$ 3,24 bilhões, sendo que somente o faturamento do milho foi de US$ 2,58 bilhões (+190,3%). O volume embarcado de milho atingiu 9,16 milhões de toneladas (+161,5) e os preços médios subiram 11%.
 
Importação – O levantamento dos técnicos do Ministério da Agricultura mostra que as importações de produtos do agronegócio subiram 6,4% nos sete primeiros meses deste ano e atingiram US$ 9,83 bilhões. O principal produto importado foi o trigo, com aquisições de US$ 1,4 bilhão, valor 50,5% acima do registrado nos primeiros sete meses do ano passado. Em termos de volume, a importação de trigo cresceu 11,7% (para 3,44 milhões de toneladas) e os preços médios subiram 34,7%.
 
Outros produtos importantes na pauta de importações do agronegócio foram: papel e celulose (US$ 1,08 bilhão, em queda de 5,5%); pescados (US$ 833 milhões, aumento de 14,9%); borracha natural (US$ 379 milhões, queda de 10,8%); lácteos (US$ 309 milhões; queda de 13,2%); e arroz (US$ 247 milhões; aumento de 34,2%).
 
Fonte:  Agência Estado