Seca, incêndios, enchentes, altos custos de insumos e redução recorde do rebanho: estes se tornaram familiares nos dois últimos anos nos Estados Unidos e estão preocupando pecuaristas do país. De fato, muitas famílias pecuaristas estão avaliando se o momento não seria o melhor para desistir da atividade, vendendo suas terras enquanto os preços estão favoráveis. Porém, essa pode não ser a melhor saída.
 
No final desse ano, os EUA implementarão três acordos de livre comércio (ALC). Com a Coreia do Sul, Colômbia e com o Panamá, já implementado em 31 de outubro. O acordo com a Coreia encerra uma tarifa de 40% sobre a carne bovina dos Estados Unidos e dá ao país uma vantagem competitiva tarifária com relação a competidores como Austrália. Da mesma forma, o acordo com a Colômbia revoga uma tarifa de 80% sobre a carne bovina dos Estados Unidos e o acordo com o Panamá elimina uma tarifa de 30%. A eliminação destas tarifas possibilita vantagem competitiva e uma posição forte na Ásia e na América do Sul.
 
Outro mercado asiático com forte potencial para crescimento é o Japão, o segundo maior mercado de exportação para a carne bovina dos Estados Unidos depois do Canadá. O Japão foi responsável por quase US$ 720 milhões em vendas de carne bovina dos Estados Unidos até agosto de 2012. Isso representa 23% de aumento com relação às vendas de 2011 e está próximo de ultrapassar o total de vendas de carne bovina em 2011 de US$ 874 milhões.
 
O Governo japonês está revisando seus protocolos de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) para carne bovina produzida domesticamente e para carne importada. Existe uma recente discussão sobre aumentar a restrição de idade sobre as importações de carne bovina dos Estados Unidos de 20 meses para 30 meses ou menos, que poderia ser uma excelente oportunidade para os produtores de carne bovina dos Estados Unidos.
 
Enquanto a Coreia e o Japão são certamente fortes mercados de exportação para a carne bovina americana, tem havido um enorme crescimento em outros mercados asiáticos, como Hong Kong e Vietnã. Em 2012, o aumento foi de 28% nas vendas de carne bovina em Hong Kong, totalizando US$ 200 milhões. Ao mesmo tempo, o Vietnã comprou US$ 133 milhões, 19% a mais que em 2011.
 
A Parceria Trans-Pacífico (TPP) é um acordo comercial multilateral entre Estados Unidos, Austrália, Brunei Darussalam, Chile, Malásia, Nova Zelândia, Peru, Cingapura, Vietnã, México e Canadá. Por esse acordo, a indústria de carne bovina poderá eliminar algumas barreiras comerciais tarifárias e não tarifárias que têm afetado a negociação há anos. Embora os termos finais do acordo ainda estejam longe de serem concluídos, o TPP possibilitaria aos Estados Unidos maiores oportunidades para o mercado da Ásia e região do Pacífico.
 
Outro mercado com potencial para a carne bovina americana e exportações de gado vivo é a Rússia. Atualmente, é o quinto maior mercado de exportação dos EUA para carne bovina, com US$ 214 milhões de vendas até agosto de 2012, um aumento de 31% nas vendas de 2012. A Rússia recentemente se tornou membro da Organização Mundial de Comércio (OMC), e como parte do acordo, foi estabelecido uma cota de importação de 60.000 toneladas de carne bovina congelada americana e ausência de cota de carne bovina de alta qualidade com tarifa de 15%.
 
Ao mesmo tempo, a demanda russa por gado vivo dos EUA está alta. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mais de 43.000 cabeças foram vendidas à Rússia de janeiro a agosto de 2012. A demanda por genética e tecnologia criou grande oportunidade para os criadores americanos.
 
Muitos reconhecem estes avanços, mas, considerando a situação política em Washington, como pode-se ter certeza de que isso não é somente um castelo de cartas que entrará em colapso depois da eleição?  O presidente Obama prometeu dobrar as exportações em cinco anos e, até agora, garantiu que os acordos de livre comércio serão implementados e que sua equipe trabalha duro no acordo TPP e na expansão do comércio com outros países.
 
Sem dúvida, os tempos estão difíceis e levará um tempo para que a indústria recupere suas perdas. Porém, é necessário manter em mente as vantagens que os Estados Unidos têm; a carne bovina e seu gado são produtos demandados por consumidores estrangeiros.
 
O artigo é do diretor associado de assuntos legislativos da Associação Nacional de Produtores de Carne Bovina dos Estados Unidos (NCBA), Kent Bacus, publicado na Drovers, resumido e adaptado pela Equipe BeefPoint.