A Agência para Alimentação e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) aprovou ontem a produção, venda e consumo nos Estados Unidos de uma espécie de salmão transgênico desenvolvida pela companhia AquaBounty Technologies. A espécie foi geneticamente modificada para alcançar o tamanho demandado pelo mercado em um tempo menor que o salmão convencional no Oceano Atlântico.
Batizada de AquAdvantage (R) Salmon, a espécie é o primeiro animal transgênico aprovado pelos EUA. O Canadá já havia aprovado a espécie em 2013. 
O salmão desenvolvido pela AquaBounty tem um gene do salmão Chinook e uma sequência de DNA de outro peixe, a faneca, que permitem o rápido crescimento do animal. Na avaliação da FDA, o salmão transgênico "não tem impacto significativo" no ambiente e é "tão seguro para comer como qualquer salmão do Atlântico não modificado geneticamente, e também igualmente nutritivo".
Segundo a AquaBounty, o salmão transgênico deverá ser adotado em sistemas de aquicultura e aumentará a produtividade, permitindo a redução dos custos de produção, e terá "uma reduzida pegada de carbono". A empresa também argumenta que o cultivo da espécie oferecerá uma alternativa para a criação de peixes que não explore os oceanos.
A aprovação da FDA gerou preocupações em entidades ambientalistas canadenses. "Estamos extremamente preocupados com os riscos para o futuro do salmão selvagem do Atlântico", disse Mark Butler, do Ecology Action Centre. Na terça­feira, duas organizações ambientalistas do país entraram com um processo contra o governo do Canadá por causa da aprovação da espécie. A AquaBounty aguarda agora a aprovação de seu salmão transgênico em outros países.
 
Fonte: Valor Econômico