A produção e rentabilidade do agronegócio nos Estados Unidos foram menores neste ano durante a pior seca em 50 anos de acordo com o Banco Central dos EUA (Fed). Neste cenário, os pecuaristas foram mais afetados devido à condição seca das pastagens e ao aumento do preço dos alimentos para animais.

 
Mesmo assim, economistas agrícolas do Fed disseram que o setor rural poderá ter um rendimento recorde. Os altos preços de mercado e as indenizações de seguros compensarão os produtores de grãos pelas menores colheitas, o que é uma amortização que os pecuaristas não têm.
 
As unidades regionais do Fed em Kansas City, Chicago e St. Louis, disseram que o preço da terra aumentou apesar da seca. Em Nebraska, o valor das terras agrícolas não irrigadas aumentaram 30% com relação ao ano anterior. Os valores em Iowa aumentaram 18% e, em Illinois, aumentaram 15%.
 
“Muitos produtores rurais acreditam que o futuro da agricultura é promissor e querem expandir”, disse o economista agrícola do Chicago Federal Reserve Bank, David Oppedahl. Ele disse também que que os agricultores estão capitalizados, e com baixas taxas de juros, vêem poucas alternativas de terras para investimento.
 
O setor agrícola dos Estados Unidos teve períodos de crescimento desde 2006, quando o mercado de commodities estava na era de oferta escassa e preços altos, mas voláteis.
 
Em informativo trimestral, os bancos regionais descreveram o impacto financeiro da seca sobre os produtores rurais americanos. O Kansas City Fed citou um forte declínio no terceiro trimestre na renda rural, “por causa dos maiores preços dos grãos e dos combustíveis pressionaram os custos de produção para cima”, enquanto o St Louis Fed disse que “a renda rural e os gastos de capital caíram significantemente no terceiro trimestre”.
 
O Chicago Fed previu que maiores custos dos alimentos animais pressionarão para baixo o lucro nesse outono e inverno para produtores de leite, de gado e de suíno com relação ao ano anterior. Os agricultores, em contraste, podem realmente obter melhores resultados.
 
Em agosto, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) previu um rendimento recorde no setor rural nesse ano, de 3% a mais que em 2011. Os altos preços do mercado e os seguros agrícolas compensarão as perdas pelo “extremo calor e seca nas Planícies e no Cinturão do Milho”, disseram eles, bem como os aumentos nos custos pecuários.
 
Um rendimento rural recorde é possível se alcançar apesar da colheita de milho dos Estados Unidos ter sido a menor desde 2006 e a de soja ter sido a menor em quatro anos, disse a porta-voz do instituto de Pesquisas Politicas Agrícolas e Alimentares (FAPRI), Pat Westhoff. Os preços de mercado estão tão altos, que a receita aos agricultores poderão exceder a de 2011, apesar das menores colheitas, disse ela.
 
Milho e soja estão entre as colheitas mais amplamente cultivadas nos Estados Unidos. Os preços futuros para o milho estão cerca de 21% maiores nesse ano com relação ao ano anterior e os da soja estão 18% maiores.
 
Os preços dos alimentos animais caíram um pouco com relação aos picos do último verão, de forma que a pressão sobre os pecuaristas está levemente menor. Ainda assim, muitos produtores de suínos e lácteos estão enfrentando perdas de dinheiro.
 
Os preços recordes das commodities proporcionaram aos produtores de grãos o ganho necessário para continuar com a atividade de compra de terras que levantou menos no ano passado de uma bolha de preços insustentável. Ao mesmo tempo, os pecuaristas precisam pagar preços muito altos pelos grãos.
 
O St. Louis Fed disse que os produtores estavam abatendo rebanhos por causa da seca e tendo que pagar preços muito alto pelo feno. Um banco de Illinois disse que os pecuaristas que compram grãos ao invés de produzi-los “serão os mais prejudicados pela seca desse ano”.
 
Oppedahl disse que a demanda por empréstimos está alta em Wisconsin, o segundo maior produtor de leite dos Estados Unidos, onde os altos preços dos alimentos animais estavam fazendo com que os produtores fizessem mais empréstimos para se manter. Os preços da terra em Wisconsin caíram em 2% de julho a setembro, de acordo com uma pesquisa do banco regional.
 
A reportagem é da Reuters, traduzida e adaptada pela equipe BeefPoint.