Segundo o jornal Valor Econômico, há espaço para que o Brasil dê um passo adiante na relação bilateral com a China e reforce não apenas as exportações de produtos agropecuários para o país asiático, mas também os investimentos, sobretudo no segmento de carnes. Esta é a conclusão de um estudo liderado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) que foi apresentado ontem, em São Paulo, a empresários e representantes de entidades do setor.

O trabalho compilou dados de 2003 a 2013 e analisou a viabilidade do ingresso e da expansão de companhias brasileiras de seis segmentos (carnes, suco de laranja, café, celulose, soja e calçados) no país asiático, a partir da avaliação da receita desses segmentos, dos custos de produção e das margens de lucro, conforme Cláudio Frischtak, presidente da consultoria InterB e um dos autores da pesquisa.

Segundo Clara Santos, que participou da pesquisa representando a Apex, apenas 2% do consumo chinês de carne suína é atendido com importações, mas isso já coloca o país como segundo maior importador mundial do produto. "E essas importações triplicaram entre 2003 e 2013". Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil rapidamente avançará nesse mercado. "Em 2016-2017, a China será o maior importador de carne suína no mundo, à frente do Japão", projetou Jurandi Soares Machado, diretor-executivo da entidade.
 
Por outro lado, foi apresentada uma série de obstáculos no caminho para uma maior abertura da China ao agronegócio brasileiro. Além das barreiras sanitárias (os chineses encerraram o embargo à carne bovina brasileira em julho de 2014) e da necessidade de acordos comerciais, os players locais – muitos de capital estatal – se tornaram mais competitivos nos últimos anos. Há, ainda, uma escalada tarifária que dificulta a exportação de produtos processados.

Em 2014, com a queda dos preços internacionais das principais commodities exportadas pelo Brasil, as vendas do país para a China somaram US$ 40,6 bilhões, recuo de 12% ante 2013. Atualmente, há 80 empresas de 34 segmentos atuando naquele país, oito delas com unidades de produção. A Marfrig, que opera na China por meio de uma joint venture, aposta suas fichas no aumento do consumo de carne bovina. "A China não chegará no curto e médio prazos a um consumo per capita como na América do Sul, mas se aumentar em 20% o consumo de carne bovina, isso equivalerá a toda exportação do Brasil em 2014", disse Alisson Navarro, diretor de atacado e exportação da Marfrig Global Foods.

Conforme Marcos Jank, diretor global de assuntos corporativos da BRF, também existe interesse em participar da "cadeia de valor" da China. Mas Wilson Mello Neto, diretor de relações governamentais e comunicação externa da JBS, ressaltou que há dificuldades em acessar o mercado chinês "com qualidade".

Outros produtos, como suco de laranja, esbarram em barreiras tarifárias. E no caso da soja, carro-chefe do agronegócio brasileiro que tem na China seu mais importante comprador, os maiores entraves estão relacionais aos derivados da oleaginosa, já que a estrutura tributária chinesa privilegia a compra do grão, e não de óleo ou farelo.
 
Fonte: Valor Econômico