Pesquisadores dizem que a eficiência na criação de bovinos pode estar ligada à sustentabilidade e quem não se adequar, pode perder espaço para agricultura. Segundo eles, isso já acontece em propriedades com baixa rentabilidade pelo país. O assunto foi discutido no primeiro dia do Circuito Feicorte, que está sendo realizado em Paragominas, no Estado do Pará.

O projeto Pecuária Verde, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), de Jaboticabal, oferece várias alternativas sustentáveis para a pecuária. O produtor Marcus Vinícius Cypriano Scaramussa possui um rebanho de 2,600 cabeças, e estava tendo problemas na hora de apartar os bezerros das vacas. Os animais pequenos estavam perdendo peso e interferindo no desenvolvimento na fase adulta.

Para resolver o problema, ele passou a fazer parte do projeto. Os pesquisadores propuseram que ele aumentasse o bem-estar animal, ao invés de fazer altos investimentos em estrutura.

Unir sustentabilidade e pecuária é um dos desafios dos produtores do Pará. O Estado é líder na exportação de gado vivo e ocupa o quarto lugar de maior produtor no Brasil, com um rebanho de 20 milhões de cabeças de bovinos. Outro projeto, desenvolvido em seis fazendas pela Dow AgroSciences, constatou que o retorno econômico passou de 5% para 18% em alguns casos, depois que o manejo foi adequado às práticas sustentáveis.

O consultor e palestrante do Circuito Feicorte, Luciano roppa, afirma que eficiência da produção está associada ao manejo e à sustentabilidade. Segundo ele, os criadores que não investirem nesta parceria podem ficar fora do mercado nos próximos dez anos.

– Parte da área da pecuária está indo para a agricultura. Quem for eficiente, não perderá sua área para agricultura. Com uma pecuária de corte eficiente, produzindo de forma eficiente, ela é tão rentável quanto à agricultura. Agora, se nós temos uma pecuária de subsistência, com baixa produtividade, com meia cabeça por hectare não tem como – diz o consultor.
 
Fonte: Canal Rural