Em todo Brasil, os últimos aumentos nas tarifas de energia oneraram a produção de diversas culturas. No Paraná, o insumo – fundamental para a criação de aves – já representa 30% dos custos da cadeia, que articula estratégias de redução no desembolso mensal. 
 
Do município de Arapongas (PR), o avicultor Domingos Martins, que produz cerca de 600 mil frangos por ano, conta que está em análise a implantação de aquecimento através de gás ou cavaco de madeira em sua propriedade, para que a energia elétrica seja utilizada apenas para a iluminação e motores da avícola. 
 
"Ainda não sabemos o quanto será possível reduzir nos custos, mas estamos tentando substituir o uso da eletricidade de qualquer forma", enfatiza. Martins, que também é presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), diz que, em alguns casos, os custos de energia chegam a ser 35% do total da folha de pagamento após reajustes de até 70% nas tarifas, de acordo com a produtividade da avícola. "Este é o item mais importante para o abatedouro", acrescenta. 
 
De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o custo de produção do frango no Paraná está em torno de R$ 1,90 por quilo, para um produto final comercializado entre R$ 1,95 e R$ 2. O especialista lembra que só no último mês a ave registrou queda de R$ 0,20 nos valores de venda. 
 
Saídas 
 
Além de fontes alternativas, que passam também pelos geradores a diesel, o setor busca otimização de gastos com transporte ao trabalhar apenas de segunda a sexta para obter ganhos maiores na indústria. 
 
O vice-presidente do segmento de aves da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, concorda que a cadeia foi onerada pelo aumento nas taxas e diz que alguns avicultores passaram a produzir energia por meio de dejetos dos animais. 
 
"Voltamos a insistir com o governo que ele nos venda a energia pelo mesmo preço que custa a do gerador, cerca de 75% mais baixo, nos horários de pico [entre 18hs e 21hs]", comenta o presidente. Segundo o sindicato, nesses horários os valores são mais altos. 
 
Questionado sobre a viabilidade de redução nos valores da eletricidade, o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria estadual da Agricultura do Paraná, Francisco Simioni, afirma que "é preciso avaliar essa disponibilidade com base nos programas que já estão em vigor". 
 
Procurada pela reportagem do DCI, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não se manifestou. "Por mais que tenhamos ajustes, precisamos ver com cuidado o que nos traz receitas como as de exportação", ressalta Santin.
 
Fonte: DCI