Confirmando as expectativas, os embarques de grãos do Brasil encerraram 2015 com um novo recorde, indica levantamento da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). E para 2016, a perspectiva continua favorável a um novo avanço das vendas externas de soja, com um crescimento que pode superar os 7%, enquanto as exportações de milho tendem a ficar estáveis, prevê a entidade. 
   Nos cálculos da Anec, o Brasil enviou ao exterior 53,06 milhões de toneladas de soja no ano passado, 18% acima de 2014. De milho, foram 30,74 milhões, alta de 46,7% na mesma comparação. Somente em dezembro, o Brasil exportou 5,84 milhões de toneladas de milho, o maior patamar já registrado para um único mês. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) informou no início desta semana um volume ainda maior, de 6,27 milhões. 
   A disparidade entre os dois números existe em decorrência das metodologias usadas. A Secex baseia-se nos carregamentos sobre os quais todos os documentos oficiais foram entregues, enquanto a Anec leva em conta os line-ups (programações de embarques nos portos do país). 
   O porto de Santos (SP) seguiu liderando o escoamento de soja, com 12 milhões de toneladas, seguido por Rio Grande (RS), com 11,5 milhões, disse a Anec. Mas rotas alternativas ao Norte do país continuaram a se destacar: os portos de Itaqui (MA), Vila do Conde (PA) e Aratu (BA) movimentaram juntos 9,5 milhões de toneladas da commodity. 
   Principal destino da soja brasileira, a China ampliou suas compras e respondeu por 77,7% (41,2 milhões de toneladas) da oleaginosa embarcada pelo país. Em 2014, eram 71,5%. No caso do milho, os maiores volumes foram para Vietnã, Irã e Coreia do Sul, a maioria também via Santos. Para 2016, a Anec espera que as exportações brasileiras de milho se aproximem das 30 milhões de toneladas do ano passado. "Minha sensação é que será de 28 milhões para cima", afirmou Sérgio Mendes, diretor-geral da Anec. 
   Para a soja, a projeção é de 57 milhões de toneladas, 7,4% acima do ano passado. "Os portos do Sul já atingiram o máximo da capacidade e o El Nino deverá continuar perturbando em termos de chuvas. Por isso, são os portos do Norte que devem escoar esse volume adicional", concluiu Mendes. 
   
   Fonte:  Jornal O Valor Econômico