O dólar subiu pela quarta sessão consecutiva e voltou a se reaproximar dos 3,75 reais, influenciado pela aversão ao risco no exterior, que se somou às preocupações com os impactos da crise doméstica dos caminhoneiros na economia

 

O dólar avançou 0,28 por cento, a 3,7392 reais na venda. O dólar futuro tinha alta de 0,05 por cento. “Por enquanto, continuamos acreditando que é preciso cautela… nem o exterior, nem o cenário doméstico parecem contribuir para uma melhora significativa, por enquanto”, destacou a corretora Guide em relatório. A moeda marcou a máxima da sessão no início dos negócios, quando saltou 1,14 por cento e foi a 3,7712 reais, mas depois passou por uma correção e passou a maior parte do dia entre leves altas e baixas. “O feriado nos Estados Unidos e Reino Unido na véspera enxugou a liquidez e deixou o mercado meio sem rumo. Houve certo exagero…Hoje o investidor chegou assustado e deu aquele estresse da abertura”, explicou o gerente de câmbio da Treviso Corretora Reginaldo Galhardo. O governo cedeu às exigências dos caminhoneiros, o que impactará fortemente as contas públicas. Nesta terça-feira, o Ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, voltou atrás e disse que não haverá aumento de impostos para compensar o corte do preço do diesel. A agência de classificação de risco Moody’s veio a público nesta terça-feira para avisar que o corte de impostos e o subsídio do governo para garantir redução de preços do diesel são fatores negativos para a avaliação de risco soberano do Brasil e enfraquecem as perspectivas fiscais de curto e médio prazo. A crise também expôs a fragilidade e a desarticulação do governo Michel Temer, e complicou ainda mais a já difícil situação de uma eventual candidatura governista na eleição presidencial de outubro, respingando também nas chamadas candidaturas de centro. No exterior, o dólar tinha forte alta ante a cesta de moedas, e subiu para a máxima contra o euro desde julho de 2017, com a liquidação no mercado de títulos na Itália devido ao aumento das preocupações políticas que levavam os investidores a abandonar a moeda única.

 

Fonte: Redação Reuters