Skip to main content

 
A aversão global ao risco voltou aos mercados nesta terça-feira (5). O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) alertou que as ameaças à estabilidade financeira do Reino Unido surgidas com o Brexit começaram a se materializar, reacendendo os temores de uma desaceleração da economia global. 
 
A saída do Reino Unido da União Europeia provocou uma fuga de recursos para ativos considerados mais seguros, como o ouro e títulos de dívida soberanos. Três fundos imobiliários britânicos suspenderam os resgates de cotas por falta de dinheiro para pagar os investidores, por causa da grande demanda por retirada. 
 
Como consequência, as Bolsas e o petróleo recuaram. O dólar voltou a se valorizar globalmente, e a libra chegou a atingir o menor patamar em 31 anos durante o pregão. Para piorar o humor dos investidores, os bancos italianos voltaram a demonstrar sinais de fragilidade. 
 
No Brasil, o dólar avançou para a casa dos R$ 3,30, influenciado, além do cenário externo negativo, por mais uma ação do Banco Central no câmbio. O Ibovespa caiu 1,38%, e os juros futuros e do CDS (credit default swap) brasileiro, indicador de percepção de risco, subiram.
 
CÂMBIO E JUROS
 
O dólar à vista encerrou a sessão em alta de 1,63%, a R$ 3,3014, enquanto o dólar comercial terminou com ganho de 1,10%, a R$ 3,3010. O Banco Central leiloou, pela terceira sessão seguida, 10.000 contratos de swap cambial reverso, equivalentes à compra futura de dólares pela autoridade monetária, totalizando US$ 500 milhões. Com isso, a posição vendida do BC (estoque de swap cambial tradicional, que correspondem à venda futura da moeda) caiu para US$ 60,635 bilhões.
 
BOLSA
 
O Ibovespa terminou a sessão em queda de 1,38%, aos 51.842,27 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,3 bilhões. As ações da Petrobras recuaram 5,87%, a R$ 9,29 (PN), e 5,65%, a R$ 11,34 (ON), reagindo à queda de cerca de 4% dos preços do petróleo no mercado internacional. Os papéis da Vale perderam 4,51%, a R$ 12,90 (PNA), e 5,36%, a R$ 16,06 (ON), influenciados pelo recuo do minério de ferro na China. Entre as siderúrgicas, CSN ON caiu 7,41%; Gerdau PN, -4,76%; e Usiminas PNA, -4,24%. No setor financeiro, Itaú Unibanco PN fechou em queda de 0,71%; Bradesco PN, -0,03%; Banco do Brasil ON, -0,75%; Santander unit, -3,11%; e BM&FBovespa ON, -1,94%.
 
EXTERIOR
 
Em relatório de estabilidade financeira divulgado nesta terça-feira, o Banco da Inglaterra afirmou que "há evidências de que alguns riscos começaram a se manifestar". "A atual perspectiva para a estabilidade financeira do Reino Unido é desafiante", afirma o Comitê de Política Financeira do banco central inglês. O documento é o primeiro divulgado após o plebiscito de 23 de junho, no qual os britânicos votaram a favor da saída da União Europeia. Uma dessa evidências vem de três fundos imobiliários do Reino Unido, que congelaram cerca de 9,1 bilhões de libras (US$ 12 bilhões) em ativos depois que o Brexit desencadeou uma onda de resgates. M&G Investments, Aviva Investors e Standard Life Investments interromperam as retiradas porque falta de dinheiro disponível para pagar os investidores. 
 
Para minimizar os riscos, o BC inglês decidiu reduzir o compulsório (montante de capital em reserva) dos bancos, de modo a liberar 150 bilhões de libras ( (US$ 197,24 bilhões) para empréstimos. Na Europa, a Bolsa de Londres foi a única a fechar em alta (+0,35%), reagindo ao aumento do capital dos bancos para empréstimos. Mesmo assim, a leitura do mercado é de que essa medida é insuficiente para minimizar os efeitos negativos do Brexit. 
 
A Bolsa de Paris perdeu 1,69%; Frankfurt, -1,82%; Madri, -2,28%; e Milão, -1,45%.
Os bancos italianos são outro motivo de preocupação, porque possuem um alto número de empréstimos considerados ruins. Nos EUA, os mercados voltaram a funcionar depois do feriado do Dia da Independência na véspera. Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones perdeu 0,61%; o S&P 500, -0,68%; e o Nasdaq, -0,82%. 
 
Na Ásia, as bolsas chinesas fecharam em alta, diante de sinais de que a atividade no setor de serviços está acelerando no país. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve valorização de 0,08%, enquanto o índice de Xangai subiu 0,62%. Já no restante do continente os mercados recuaram. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 0,67%. 
 
Fonte Folha de São Paulo