Quais são os desafios para as melhorias do escoamento da produção agrícola no Rio Grande do Sul e do Brasil? Álvaro Wolcitechoski, da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística do RS, Ricardo Orsoletta, Gerente Comercial do Tecon Rio Grande S.A (concessionária do Porto do Rio Grande) e o Coordenador do Conselho de Comércio Exterior da FIERGS, Cézar Müller, discutiram essa questão no painel realizado no Avisulat em Bento Gonçalves, RS. Também apresentaram melhorias no sistema de transporte e ressaltaram a falta de planejamento do setor.

 
Wolcitechoski mostrou os planos de médio e longo prazo para o cenário futuro de 2013 e 2014 com destaque para a federalização da rodovia BR 101 que ainda está sob concessão estadual. Outra solução apresentada foi a extensão da Ferrovia Norte Sul – que atualmente liga Belém no Pará com Panorama em São Paulo – com o intuito de cortar o Cone Sul e terminar na capital gaúcha de Porto Alegre. O dirigente atestou: temos deficiências graves e precisamos quebrar paradigmas e mudar nossas concepções sobre o transporte. Em outras palavras, precisamos investir em outras alternativas que não a rodoviária. “Temos uma malha ferroviária e hidroviária que precisa ser melhor aproveitada. Precisamos aprimorar o modal ferroviário e cobrar novos processos de concessão do governo”. O governo prepara melhorias com um planejamento de 25 anos, no entanto, em relação a esse prazo Wolcitechoski afirmou “para cada cabeça existe uma sentença”. Ainda frisou que em relação aos entraves políticos que impedem o sequenciamento das ações de melhorias é necessário pressionar as classes políticas e cobrar um planejamento do Estado. “Precisamos esboçar um cenário viável levando em consideração nossos custos e o governo [estadual] tem que se movimentar nesse sentido. A iniciativa privada é um parceiro e para dar uma continuidade ao processo precisamos transcender as classes e transcender os partidos políticos”, sentencia.
 
Cézar Müller, Coordenador do Conselho de Comércio Exterior da FIERGS, aponta a logística e a burocracia como as principais causas da perda da competitividade e evidencia o Brasil como 121° no ranking mundial em comparação com os custos praticados no primeiro mundo. O coordenador apresenta dados compilados em um estudo recente conduzido pelo FIERGS onde são necessários R$ 70 bilhões de reais investidos em 177 projetos para diminuir o déficit. Desses 51 são altamente prioritários e demandarão R$ 15,2 bilhões e que se não forem realizados vão literalmente travar o Sul do País. “Se nada for feito uma região que corresponde a 17% do PIB nacional corre o risco de parar economicamente. Com esses investimentos calcula-se uma redução de 7,0% nos custos de produção o que vai alavancar a produtividade da região. Uma prévia aponta para uma queda de 10% das exportações no Sul se não for aplicado esse montante”, finaliza.

Ricardo Orsoletta, Gerente Comercial do Tecon Rio Grande S.A, apresenta a estrutura do principal do Porto do Rio Grande 
 
Fonte: Avisite