O consumo de carne bovina subiu 13% em quatro anos na China. A produção avançou 5%. Só esses números dão a dimensão da importância da abertura desse mercado para novos frigoríficos brasileiros –26 até junho.
 
Apesar de ter o terceiro maior rebanho comercial do mundo -perdendo para Brasil e Índia-, os chineses mantêm no pasto só 100 milhões de cabeças de gado, pouco para um país daquela dimensão.
 

A abertura vai dar novas vantagens para as vendas brasileiras para aquele mercado. Mas o crescimento deverá ser lento. Hoje, a China já consome carne brasileira, que entra via Hong Kong.
 

Em 2014, Hong Kong foi o líder nas importações brasileiras, ao comprar 401 mil toneladas de carne bovina. Gastou US$ 1,7 bilhão. O crescimento foi de 17% no valor e de 9% no volume. Já os chineses compraram apenas 115 toneladas, por US$ 486 mil.
 
 
A Rússia, apesar de toda a abertura que deu ao Brasil no ano passado, devido às barreiras de negociações impostas pelos países desenvolvidos, veio a seguir, ao comprar 315 mil toneladas, no valor de US$ 1,3 bilhão. Além de importar mais que os russos, Hong Kong paga mais pela tonelada da carne comprada.
 
Mas o Brasil deve buscar não só as exportações de carne bovina mas as de suínos e de frango. Líderes mundiais na produção e no consumo de carne suína, os chineses –apesar da produção de 56,6 milhões de toneladas– importam outras 800 mil.
 
No caso do frango, os 13 milhões de toneladas consumidas são praticamente absorvidas do mercado interno. Mesmo assim, há espaço para evolução das exportações brasileiras, principalmente de cortes especiais.
 
O crescimento de renda dos últimos anos já garantiu boa evolução no consumo. Se a economia voltar a crescer com mais dinamismo, o poder de compra vai exigir ainda mais carne bovina.
 
Zan Linsen, diretor do Centro Nacional do Desenvolvimento de Carne Bovina na China, diz que o consumo médio de carne bovina ocupa novos espaços na dieta.
 
Há duas décadas, a carne suína somava 95% do consumo de proteínas da China. Esse percentual caiu para 65%.
 
O maior consumo de proteínas beneficiará o Brasil também de forma indireta. A alimentação dos animais forçará a China a importar mais componentes para rações.
 
Outro detalhe dessa cadeia de proteínas na China é que a produção, antes de fundo de quintal, toma dimensões novas e atrai investimentos de grandes empresas.
 
Esse novo sistema exige o uso de ração de melhor qualidade, à base de soja e de milho, colocando ainda mais o Brasil na mira dos chineses.
 
Fonte:  Folha de SP