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Neste ano, o custo de produção na avicultura e na suinocultura dobrou em Minas Gerais com a disparada nos preços do milho e da soja. Muitos produtores trabalham contabilizando os prejuízos deixados no primeiro semestre e tentam equilibrar o orçamento.
Para o suinocultor Lúcio Roberto Naves Alamy, que trabalha há 20 anos no ramo, os produtores estão apreensivos em investir na criação de animais. “Hoje nós estamos trabalhando com o custo de produção em torno de R$ 4,20 o quilo, já no ano passado nós trabalhamos com custo de produção na casa dos R$ 3,50 a R$ 3,30. O suinocultor não sente confiante para investir no setor. Quando a gente tem um mercado mais calmo, com preços mais atrativos, a gente se sente mais confortável para investir”, disse.
Segundo dados da Associação dos Suinocultores de Minas Gerais, o custo médio de produção é de R$ 4,60 no estado, 35% a mais em relação ao ano passado.
A alimentação dos suínos é feita à base de grãos e a disparada nos preços do milho e da soja trouxe enorme impacto para o setor. A saca de milho de 60 quilos que, no ano passado custava R$ 24, agora sai por R$ 50. A tonelada do farelo de soja saiu de R$ 900 para R$ 1,6 mil e o custo de produção da ração que era R$ 0,90, hoje está em R$ 1,60.
“Nós estávamos trabalhando com um prejuízo na faixa de R$ 0,70 por quilo, agora os preços recuperaram um pouco, mas, mesmo assim, nós estamos com uma margem de R$ 0,10 positivo para a atividade”, falou Lúcio.
Na avicultura, a situação não é diferente e os produtores trabalham no prejuízo.Para produzir o quilo de frango, o custo total está em R$ 3,15, enquanto o preço pago ao avicultor chega a R$ 2,50.
Na visão do presidente da Associação Granjeiros Integrados do Triângulo Mineiro e Alto Parnaíba, Juliano Fagundes, os produtores precisam readaptar a produção para não colherem tantos prejuízos. “Quando você trabalha no negativo, você precisa adaptar a sua produção, então os produtores vão parar de investir, parar de repor plantel e diminuir a oferta de carne no mercado. Uma vez que essa oferta diminuir, isso não volta muito fácil”, disse. 
 
Fonte: Canal Rural