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 Medidas para recuperar a suinocultura já eram esperadas, mas não deixaram os criadores muito animados. O setor vive uma crise séria porque o custo da ração está subindo muito e o da carne, não.
O preço baixo é consequência do excesso de carne de porco dentro do Brasil. Os embargos da Rússia e da Argentina contribuíram para isso, assim como o aumento na produtividade do rebanho, que é maior do que o do consumo.
 
Rio Grande do Sul
De acordo com a Associação dos Criadores do Rio Grande do Sul, para produzir um quilo de suíno, os criadores estão gastando, em média, R$ 2,60. O valor é quase 40% superior ao preço obtido na hora da venda.
“O valor que ele está hoje é praticamente o de nove ou dez anos atrás. Quando construímos o chiqueiro, estava em torno de R$ 1,70, R$ 1,80, R$ 1,90, e hoje está a R$ 1,90”, afirma Albino Casagrande, que cria porcos há dez anos em Nova Candelária, no noroeste do Rio Grande do Sul, como integrado de uma indústria da região.
A crise do campo chegou à cidade. Em Nova Candelária, 70% da receita do município vem da suinocultura. Com menos dinheiro girando, o comércio sentiu. “Na verdade, hoje, só se compra o que é preciso mesmo. Ele não gasta além do que precisa”, afirma o comerciante Jonas Müller.
 
Santa Catarina
O município de Braço do Norte, no sul do estado, decretou situação de emergência por causa da crise. Na propriedade do agricultor Diogo Becker, parte da criação de suínos foi reduzida por causa do preço baixo do suíno. “Se a atividade continuar inviável, não remunerando, provavelmente nós seremos mais um daqueles que irão rumo aos centros urbanos”, diz.
Dos 200 criadores de suínos registrados no município, dez abandonaram a atividade no último mês. A economia da região gira em torno da suinocultura. “Se não mudar o sistema, vai haver problema, vai haver queda, vão falir muitos produtores, vão parar de criar, e isso vai afetar significativamente a economia de Braço do Norte, já que a economia gira muito em torno da suinocultura”, diz o prefeito Evanísio Uliano.
 
Minas Gerais
Na granja de Igor Flores, em Pará de Minas, saem 500 animais para o abate toda semana. Criador independente, arca com todos os custos da produção e vende para quem pagar mais. Igor reclama que está sem dinheiro para se manter na atividade. “A saída hoje é recorrer às entidades financeiras, junto a custeios para auxiliar a produção. Querendo ou não, você tem um custo financeiro, que a cada dia encarece, e os juros são bem acima da inflação, acima de tudo, o que inviabiliza muito a produção”, diz.
O produtor pagou pela tonelada do farelo de soja 70% mais em relação ao mesmo período do ano passado, e o preço da carne caiu cerca de 15% no período. Com esse prejuízo, muitos criadores em Minas Gerais estão diminuindo a produção.
Em um galpão de Pará de Minas, há três meses, eram criados 900 animais. Hoje, a maior parte das baias está vazia. O criador está mandando os animais mais cedo para o abate para economizar alimento. A porcentagem do farelo de soja na ração foi reduzida na alimentação dos animais.
As matrizes não serão mais inseminadas, os berçários já estão vazios, e o próximo corte será na mão de obra. Mesmo com a criação de uma linha de crédito especial, anunciada no Plano de Safra, o setor considera difícil sair desta crise.
“Muitas vezes, o produtor não vai conseguir pegar essa linha, pelo fato de ele já estar endividado e a crise se prolongar por mais de um ano. É importante que o governo subsidie, através dos leilões de VEP, o milho que está na região Centro-Oeste, levá-lo para região Sul, e para São Paulo, e também é uma medida de extrema importância incluir a carne suína na política de garantia de preços mínimos”, afirma Fabiano Coser, diretor da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS).
 
Fonte: Globo Rural