O universo dos animais de estimação gera lucro para os mais diversos setores do mercado. Um dos exemplos é a produção de milho. Aparentemente não parece ter nada ver com os pets, mas cerca de 50% dos ingredientes das rações que eles consomem tem como matéria-prima o milho. Mas, tem também os serviços específicos e até a dog sitter, uma espécie de babá de animais de estimação.
 
Abastecimento de matéria-prima, dosagem e formulação dos produtos, moagem, cozimento, secagem e ensaque. Essas são as fases do processo de produção de alimentos para cães egatos em uma fábrica em Santa Cruz do Rio Pardo (SP). Por dia são 300 toneladas do alimento no depósito da fábrica. E pensar que quando a empresa começou, a produção era de 200 toneladas por mês. “A princípio eram produtos específicos pra cães adultos, depois cães filhotes, gatos, produtos mais específicos pra raças pequenas, por exemplo. Então fomos diversificando o nosso portfólio de produtos a fim de bem atender aos consumidores”, explica o zootecnista e gerente Técnico João Paulo Camarinha Figueira.
 
E para garantir a qualidade da refeição, um grupo de “trabalhadores” é especializado na degustação. Cães e gatos que dão a “palavra final” se a “receita” está boa. “A gente avalia através da observação de consumo por qual alimento eles têm preferência”, explica a veterinária e gerente do centro de pesquisa da fábrica, Mônica Clauset Leite de Souza.
 
Tudo para pets. Em uma loja de São Paulo, matriz da maior rede de pets shops do Brasil, as rações correspondem a 60% das vendas, mas o comércio no local é bem mais amplo. A loja tem 20 mil produtos diferentes para alimentação, brinquedos, acessórios, produtos de limpeza, de higiene, medicamentos e roupinhas. E os donos dos pets podem fazer compras a qualquer hora do dia, porque o local funciona 24 horas. “Atrai funcionários e profissionais de grandes redes, então é um mercado altamente promissor”, afirma o diretor de expansão da rede, Hélio Freddi Filho.
 
Nessa conta, inclua os serviços como os que a cadela Breeze utiliza. Se os donos saem de férias, ela também tem direito e vai pra um hotel. O que ela gosta, mesmo que a viagem leve três horas, já que a família é de Vinhedo e ela só se hospeda em Botucatu. “Eu acho que no momento que você escolhe ter um cachorro, você tem que estar muito consciente que você tem que dar o melhor dentro das suas possibilidades”, afirma a dona de casa Teresa Virgínia Magalhães. O local oferece uma estrutura completa. “Nós oferecemos a clínica veterinária e o acompanhamento, então realmente é um serviço diferenciado”, explica médica veterinária Janaína Camargo.
 
Grommer e outros especialistas. Um centro de estética animal em Botucatu foi criado há 13 anos para oferecer banho e tosa para cães em gatos. A proprietária do local, Suzana logo começou a se destacar no ramo e recebeu convite para dar aulas sobre a “arte” de tosar os animais e do salão de estética surgiu a escola. Um centro de formação profissional, que hoje dá muito mais lucro. E um detalhe importante, as profissionais não são “tosadoras”. “O nome correto da profissão é grommer”, explica Gorete Lourenço.
 
Mas, se existe hora para o glamour, tem que ter também para o gasto de energia. Cachorro preso em casa é complicado. Por isso também tem profissional atuando nessa área. Basta ele chegar que a cachorrada ficar agitada. Sinal de passeio à vista. Alexandre Zanetti não é o dono dos cães, mas é pago para caminhar com eles. É um dog walker, uma profissão que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado pet. “É aquela coisa, procure fazer alguma coisa que você goste que você nunca mais vai trabalhar na sua vida.”.
 
Só que tem profissional que faz muito mais que passear com os cães. Tânia Batista é dog sitterou babá de cachorros. O cargo que ela ocupa exige tanta confiança que ela tem até uma cópia da chave da casa onde vivem os seus “clientes”. Enquanto os donos estão fora é ela quem bota ordem no canil. E antes da diversão, Tânia cumpre outras obrigações: Coloca comida, troca o tapete higiênico e a água, que tem que ser filtrada.
 
“Nós cuidamos muito dos animais e damos atenção”, explica. Além de dog sitter, a Tânia também trabalha com táxi dog.  Ela transporta os pets para onde eles precisam ir. “E eles vão na caixinha, no maior conforto.” O veículo é adaptado para o conforto e a segurança de donos e animais.
 
Negócios. O mercado é tão promissor que uma feira de negócios é sediada em São Paulo já há 13 anos é o maior evento do setor na América Latina. “Temos hoje no Brasil 37 milhões de cães, 21 milhões de gatos, só que o número total de animais de estimação está ultrapassando 100 milhões de animais”, destaca a organizadora do evento Laura Snitovsky.
 
Na hora do passeio muitos preferem não deixar os pets sozinhos em casa. Por isso, um shopping de São Paulo percebeu há 15 anos que permitindo a entrada de animais o movimento também cresceria. E com mais pessoas circulando a matemática é simples, as vendas crescem cada vez mais.
 
Para atrair mais clientes existe uma estrutura para os bichinhos viciados em vitrines. Do lado de fora os donos podem pegar sacolas e recolher a sujeira e também foram instalados bebedouros para os cães matarem a sede. Em outro shopping, em São Bernardo, tem até carrinho para passear com os cães mais preguiçosos, aqueles que querem olhar as vitrines, mas sem se exercitar.
Lares cheios de alegria. O Brasil tem 200 milhões de habitantes, e cada família tem em média quatro pessoas. Ou seja, 50 milhões de famílias, com 100 milhões de bichos, o que dá dois animais de estimação por casa. O País é o segundo maior mercado pet do mundo de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet, São Paulo/SP).
 
Fonte: G1, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.