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As indústrias brasileiras de aves e suínos deverão importar cerca de 700 mil toneladas de milho nesta safra 2015/16 para enfrentar a alta de preços e a escassez do grão no mercado interno, afirmou ontem o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 2014/15 foram 316,1 mil toneladas e o volume poderá chegar a 1 milhão na temporada atual.
"Este ano fomos surpreendidos pela elevação do preço e pela escassez da oferta de milho", disse Turra. O presidente da ABPA afirmou que a alta do grão foi responsável por nove pontos percentuais do aumento de 23% nos custos do segmento nos últimos seis meses.
Em evento em Porto Alegre, Turra lembrou que, como a Conab, algumas consultorias também projetam a importação de até 1 milhão de toneladas em 2015/16, mas afirmou que a situação deverá melhorar para a indústria nos próximos 40 a 60 dias, com a colheita da segunda safra de milho no país. A estimativa é que o consumo de cereal no segmento alcance 45 milhões de toneladas por ano.
Turra relatou, também, que a ABPA espera uma expansão das exportações de carne de frango e suínos em 2016 bem superior aos 3% e 4% em volume, respectivamente, projetados no início do ano, mas ainda não tem novos números a apresentar. No primeiro trimestre, os embarques de carne suína cresceram 77,8% ante igual período de 2015, para 164,9 mil toneladas, enquanto as vendas externas de aves subiram 12%, para 1,04 milhão de toneladas.
Em todo o ano passado, as exportações brasileiras de carne suína atingiram 555,1 mil toneladas e US$ 1,279 bilhão, enquanto os embarques de frango somaram 4,2 milhões de toneladas e US$ 7,17 bilhões.
Conforme o vice­presidente de aves da ABPA, Ricardo Santin, 85% da produção brasileira de suínos é consumida no país, mas o aumento das exportações pode reduzir entre 4,5% e 5% a disponibilidade do produto no mercado interno no fim deste ano. Outro fator que pode contribuir para essa redução da oferta é a diminuição do peso de abate dos animais em função da escassez de milho, acrescentou Santin.
 
Fonte: Valor Econômico