2012 foi um ano difícil. A quebra de safras causadas pelo clima nos Estados Unidos e América do Sul fez com que o estoque mundial de grãos – em especial milho e soja – atingissem níveis baixíssimos, jamais vistos no cenário mundial. Com isso, as cotações dispararam e o custo de produção para o setor cárneo aumentou e muitos produtores tiveram prejuízos. No entanto, para 2013 o cenário é mais otimista, de acordo com Vinicius Xavier, da consultoria FCStone.
"Apesar do patamar elevado no início deste ano, os resultados da safras dos EUA e América do Sul devem ser suficientes para pressionar a quedas de preços", explica o consultor, acrescentando que esta projeção só muda se algum fator climático grave influenciar no resultados da colheita de grãos. "Infelizmente isto não é algo previsível", diz.
 
Em apresentação realizada no estande da Ocepar, durante o Show Rural Coopavel, Xavier dividiu o ano em "três passos" em suas análises para soja e milho.

Soja
 

No "primeiro passo", válido para o primeiro quadrimestre, Xavier lembra que o ano começou com estoques muito baixos de soja. Com a demanda crescendo mais do que a oferta da oleaginosa, a cotação mantém-se em patamar elevado. Neste período, apenas a safra de soja norte-americana está no mercado, ou seja, não é suficiente para suprir toda a procura.
 

No entanto, já no "segundo passo", a partir de maio entram no mercado internacional as safras brasileira, argentina e paraguaia. A oferta de soja vai crescer, e por consequência, as cotações de soja devem ter ligeira retração. O cenário mais positivo para o produtor de carnes vem com o "terceiro passo", quando a safra 2013/14 dos EUA adentra o mercado mundial no terceiro quadrimestre. Xavier acredita que neste ponto do ano, os estoques de soja estarão em níveis mais confortáveis, e mesmo com o aumento da demanda por grãos, a oferta será mais que suficiente e, portanto, as cotações devem ceder.

Milho
 

As previsões para as cotações de milho devem favorecer ainda mais o produtor de carnes, de acordo com Xavier. No "primeiro passo", válido para o primeiro quadrimestre, o consultor acredita que a demanda pelo cereal – tanto da cadeia agrícola como da energética na safra dos EUA – deve cair no mercado internacional, ou seja, espera-se uma ligeira queda de preços. No "segundo passo", entram as safras da América do Sul, o estoque de milho cresce e os preços seguem caindo. No "terceiro passo", entra a safra 2013/14 dos Estados Unidos. Os estoques do cereal devem atingir níveis até maiores daqueles considerados "confortáveis". Com isso, Xavier estima continuidade da queda de preços do milho até o final de 2013.
 

"Lembrando que o fator clima é importantíssimo para mantermos este cenário do mercado de grãos tranquilo", alerta o consultor.
 
Fonte: Redação Avicultura e Suinocultura Industrial