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O fundador e controlador da Marfrig, Marcos Molina, negociou com ações da companhia em 12 pregões de fevereiro. E, no mês passado, diferentemente de 2011, atuou também na ponta vendedora. No fim do mês, sua fatia na empresa teve pequena redução, de 47,49%  para 47,19%.

Conforme informações encaminhadas pela companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em oito sessões, o controlador aparece comprando e vendendo ações da companhia na mesma sessão. Na maioria das vezes, as transações de compra e venda envolvem a mesma quantidade de papéis e sempre foram fechadas aos mesmos preços.

De acordo com a Marfrig, Marcos Molina repassou algumas ações para sua esposa, Marcia.

Quando comprou papéis no ano passado, o empresário fez as aquisições na pessoa física e, no último mês, por meio de negócios diretos, transferiu as ações para a esposa.  A intenção foi a de manter a participação igualitária de ambos no negócio. Marcos e Marcia são os únicos acionistas da  holding controladora MMS  Participações.

No mercado, desde o ano passado, investidores questionam o comportamento de Molina na bolsa, afirmando que ao colocar ordens de compra — e agora também de venda —, ele tem influenciado o rumo das cotações.

Compras de controladores na bolsa são costumeiramente bem vistas no mercado, pois demonstram confiança no negócio. Da mesma forma que vendas podem ser tomadas como sinalização contrária. Fazer operações de compra e venda na mesma sessão também não são bem vistas pelos investidores.

Em outros quatro pregões de fevereiro, Molina atuou apenas na ponta vendedora — por conta da alta de 31,5% das ações da empresa no mês passado houve no mercado quem avaliasse que o empresário estava novamente comprando papéis.

No total, Molina se desfez de 1 milhão de ações da empresa e levantou pouco mais de R$ 8 milhões. Ele vendeu papéis a preços cada vez mais altos R$ 8,33 (8/2); R$ 8,52 (9/2); R$ 9,71 (17/2) e R$ 9,84 (22/2). No ano passado, ele realizou apenas compras, de setembro a dezembro gastou R$ 109 milhões e elevou sua fatia na empresa  de 43,49% para 47,44%. As aquisições foram feitas a valores nas casas de R$ 6 a R$ 8.

No ano passado, as ações do Marfrig recuaram 44,5%. Neste ano, já acumulam alta de 35,5%. As ações ganharam fôlego extra depois que a empresa, em 27 de fevereiro, anunciou a separação das suas operações de carne das atividades ligadas a aves, suínos e alimentos processados, agora reunidas na Seara Foods. A medida, conforme sinalizou a própria companhia, é parte da preparação da empresa para a busca de um sócio estratégico na Seara.

No ano passado, quando iniciou as compras, Molina afirmou que eram motivadas pela “confiança nos sólidos fundamentos da companhia e em seu significativo potencial de criação de valor”.

Ao iniciar as operações, os papéis estavam na mínima histórica, por conta  do desmonte de posições alavancadas do fundo GWI, em agosto, de preocupações do mercado em relação à situação financeira da companhia e, depois, de alguns questionamentos sobre suas práticas contábeis.

O surgimento de Molina na ponta compradora coincide com uma mudança de patamar das ações, que saíram da casa dos R$ 6 para a dos R$ 8.