Os preços do gado vivo no Brasil aumentaram em 4% entre outubro e novembro, devido ao período de seca combinado com uma oferta relativamente limitada dos confinamentos, onde as colocações não cresceram tanto quanto tinha sido previsto por causa dos altos preços dos grãos e do boi gordo.

 
Entretanto, os preços da carne bovina tiveram um desempenho pior que os valores do gado e apresentaram um aumento de apenas 1% no mesmo período. É importante ressaltar que, apesar dos aumentos mencionados nos preços do gado vivo, os preços flutuaram em cerca de 6% a menos que os níveis do ano anterior.
 
Ventos favoráveis à indústria continuaram soprando do lado internacional, com o volume exportado aumentando sequencialmente trimestre após trimestre, impulsionados pelas maiores vendas ao Chile e Egito, e pela desvalorização do Real brasileiro, o que aumentou a atratividade do produto exportado.
 
Em outubro, a indústria brasileira exportou cerca de 100 mil toneladas, 11% a mais que no mês anterior e 35% a mais que no ano anterior, maior volume mensal desde julho de 2010. Em novembro, o volume exportado caiu de um pico visto no mês anterior de 83.000 toneladas, mas foi 15% maior que no ano anterior.
 
Os preços exportados em dólares dos Estados Unidos também aumentaram novamente em outubro e novembro, aumentando em 5% com relação aos níveis do terceiro trimestre o que, combinado com a desvalorização da moeda, levou os preços convertidos em Real brasileiro a aumentar em 3% com relação ao terceiro trimestre e 6% com relação ao ano anterior.
 
Nesse cenário, as margens para os frigoríficos de carne bovina ainda parecem bastante positivas e estão bem abaixo dos níveis do ano anterior (Figura 4). O cenário é ainda melhor para as companhias que administraram para maximizar a participação das exportações nas vendas totais. Nesse estágio, é válido lembrar que as três maiores companhias de carne bovina representam mais de três quartos das exportações brasileiras totais, enquanto representam apenas 35%-40% da capacidade total de abates instalada no Brasil.
 
De fato, os lucros reportados no terceiro trimestre por Marfrig, JBS e Minerva mostraram uma melhora significante em suas margens de negócios de carne bovina. No caso do JBS, as margens EBITDA aumentaram em 290 bps com relação ao ano anterior. Para o Minerva, o aumento foi ainda maior, aumentando em 310 bps com relação aos níveis do ano anterior. O Marfrig também teve boas margens de aumento (aumento de 270 bps com relação ao ano anterior).
 
Para 2013, o Rabobank espera que o fornecimento de animais vivos no Brasil permanecerá em níveis razoáveis e as primeiras estimativas apontam para um aumento na produção de carne bovina de 3% com relação a 2012.
 
Apesar de a oferta dever aumentar, o espaço para mais quedas nos preços do gado vivo é limitado, à medida que a oferta de carne bovina do resto do mundo deverá se manter estagnada – ajudando a aumentar a demanda para a carne bovina brasileira – e a produção de carne de frango e suína (substitutas) deverão desacelerar devido aos altos custos dos grãos.
 

 
Fonte: Rabobank, traduzida eadaptada pela Equipe BeefPoint.