As exportações globais de carnes (bovina, suína e de aves) cresceram mais de 40% em menos de 10 anos, com a previsão para 2014 de um novo recorde, à medida que as rendas aumentam e a demanda fica mais forte.
 

Previsões para carne bovina e de vitelo para 2014
A produção global para 2014 deverá aumentar em 58,6 milhões de toneladas, à medida que a maioria dos países produtores deverá se beneficiar das ofertas de alimentos animais mais baratos e maior demanda de importação (principalmente da China e de Hong Kong).
 
O consumo global deverá aumentar levemente com relação ao recorde do ano passado, de 57 milhões de toneladas, enquanto o comércio internacional deverá continuar alcançando novos recordes.
 
As exportações deverão ser de 9,2 milhões de toneladas, expandindo 24% em apenas 5 anos, com Brasil e Índia sendo responsáveis pela maior parte desse crescimento.

 
 
Estados Unidos
Apesar de ainda ser o maior produtor mundial de carne bovina, a produção deverá cair em 6%, indo para 11 milhões de toneladas. Não há boa previsão de recuperação em curto prazo em 2014, à medida que a retenção de novilhas pode limitar mais as ofertas de bovinos para abate. O consumo deverá cair em 5%.
 
Os Estados Unidos deverão se manter como exportador líquido de carne bovina, com as exportações devendo cair em 6%, para 1 milhão de toneladas, e as importações se mantendo virtualmente sem mudanças, em 1 milhão de toneladas.
 
As exportações estão limitadas pelas escassas ofertas domésticas e pelos preços menos competitivos, enquanto o crescimento nas importações é limitado pelas escassas ofertas dos principais fornecedores (Canadá, Austrália e Nova Zelândia).
 
Brasil
A produção deverá aumentar em 3%, para um recorde de 9,9 milhões de toneladas, direcionada por um rebanho em expansão, que é ajudado por programas do governo que subsidiam taxas de juros para estimular as melhoras nas pastagens e o uso de genética de maior qualidade. O aumento nos confinamentos também está contribuindo para maiores ofertas de carne bovina.
 
Os preços maiores dos bovinos e os preços moderados dos alimentos para os animais deverão encorajar os produtores a usar mais alimentos e outros ingredientes durante a estação de seca, para manter os pesos.
O consumo continua expandindo modestamente, limitado pela inflação e aumento das dívidas dos consumidores. As exportações deverão ser quase 8% maiores, em mais de 1,9 milhão de toneladas, principalmente direcionada por uma maior competitividade por causa da desvalorização do real.
 
União Europeia (UE)
A produção de carne bovina deverá aumentar levemente, para 7,8 milhões de toneladas, à medida que os preços relativamente baixos dos alimentos animais e os altos preços da carne bovina suportam a expansão do rebanho e maiores ofertas de bovinos para abate. O consumo de carne bovina continua estagnado, em pouco mais de 7,8 milhões de toneladas.
 
A produção doméstica adicional deverá ser exportada, com volumes projetados quase 4% maiores, para 270.000 toneladas. As importações deverão permanecer sem mudanças, em 350.000 toneladas.
 
China
A produção de carne bovina deverá aumentar em 2%, para quase 5,8 milhões de toneladas, apoiada por maiores abates e maiores pesos dos animais, devido à demanda mais forte. As altas margens de lucros estão atraindo grandes investimentos de companhias de bovinos e carne bovina, enquanto os pequenos produtores continuam deixando a indústria por causa da menor eficiência e investimentos limitados.
 
O consumo deverá continuar ultrapassando a produção, com um recente aumento na demanda, atribuído aos incidentes de segurança alimentar em outras carnes, que encorajou um aumento no consumo de carne bovina. As importações deverão ser recordes, de 475.000 toneladas, aumento de 19% devido à maior demanda, preços de importação favoráveis e altos preços domésticos. Junto com Hong Kong, suas importações representam dois terços do crescimento mundial de importações.
 
Índia
A forte demanda por produtos lácteos estimula a contínua expansão do rebanho bovino, à medida que os maiores preços dos lácteos impulsionam o desenvolvimento de mais fazendas comerciais. Como resultado, o rebanho deverá crescer em 1%, para quase 330 milhões de cabeças. Embora um rebanho maior dê suporte a um aumento na produção de carne bovina, os programas do governo também encorajam a produção.
As exportações de carne bovina deverão ser 6% maiores, ficando em um recorde de quase 1,8 milhão de toneladas, sendo responsável por cerca de 20% do comércio mundial.
 
Argentina
A produção deverá aumentar levemente, para mais de 2,8 milhões de toneladas, com um aumento no rebanho bovino apoiando amplas ofertas para abate. Os maiores preços dos bovinos deverão melhorar os retornos, o que poderá ajudar a compensar a inflação esperada. As políticas de governo e as dinâmicas de mercado contribuíram para uma queda nos pesos das carcaças, que poderá limitar o crescimento na produção.
 
As exportações deverão aumentar em 22%, para 220.000 toneladas, devido à firme demanda externa e à desvalorização do peso. A maior demanda da China e de Hong Kong também apoiam a expansão.
 
Austrália
A produção deverá se manter virtualmente sem mudanças, em quase 2,3 milhões de toneladas. As exportações deverão aumentar levemente para um recorde de 1,5 milhão de toneladas, apoiadas por uma maior demanda global por carne bovina. Entretanto, as ofertas escassas limitarão o crescimento das exportações.
 
México
A produção está maior, em quase 1,8 milhão de toneladas, à medida que as práticas de alimentação e o melhoramento genético estão lentamente melhorando os ganhos de peso e os rendimentos de carcaça. Entretanto, as condições de seca resultaram em rebanhos menores e as ofertas de bovinos para abate deverão ser escassas.
 
As exportações deverão aumentar em 7%, para um recorde de 220.000 toneladas. A melhor qualidade, segurança e sofisticação das operações de carne bovina abriram as portas para um aumento nas exportações nos últimos anos. As importações deverão aumentar em 4%, para 235.000 toneladas.
 
Rússia
A produção deverá cair modestamente para pouco menos de 1,4 milhão de toneladas, devido aos menores estoques, à menor safra de bezerros e aos menores abates, apesar dos programas de suporte do governo federal e regional para estimular o desenvolvimento pecuário. O consumo deverá permanecer em 2,4 milhões de toneladas.
 
As importações deverão ser levemente maiores, em pouco mais de 1 milhão de toneladas, à medida que os comerciantes deverão utilizar melhor os volumes da cota disponível sujeita a tarifa, e certos países vizinhos são capazes de exportar carne bovina livre de tarifas à Rússia.
 
Canadá
A produção deverá ficar em quase 1 milhão de toneladas, à medida que os abates de bovinos e os pesos das carcaças não deverão mudar de forma significativa. As ofertas de bovinos para abate continuam relativamente escassas, refletindo os declínios na produção de bezerros. As exportações deverão aumentar levemente, para 325.000 toneladas, após cair nos quatro anos anteriores. As importações deverão ser 2% menores, em 315.000 toneladas.
 
Nova Zelândia
A produção deverá cair levemente, para 640.000 toneladas, à medida que o setor pecuário continua se recuperando da seca. A produção de carne bovina e a indústria de processamento está se tornando cada vez mais dependente do setor de lácteos, que contribui com um número estimado de 70 a 80% do total de abates. As exportações deverão cair em 2%, para 536.000 toneladas devido à menor produção.
 
Uruguai
A produção deverá ser 7% maior, em 590.000 toneladas, à medida que a expansão do rebanho dará suporte a amplas ofertas de bovinos para abate. A safra de bezerros deverá ser recorde, de 3 milhões de cabeças. O clima bom e os retornos positivos continuam encorajando os produtores a melhorar o manejo do rebanho e a produção. As exportações deverão ser 9% maiores, em 415.000 toneladas, beneficiando-se bastante da maior demanda chinesa. Durante janeiro a agosto de 2013, a China se tornou seu principal mercado, sendo responsável por quase 26% das exportações comparado com menos de 5% durante 2012.
 
Paraguai
A produção deverá ser 8% maior, em 540.000 toneladas, apoiada por uma expansão do rebanho. As melhoras no manejo do rebanho, como eficiência reprodutiva, ainda precisam ser empreendidas, apesar dos grandes investimentos que estão sendo feitos no setor. As exportações deverão aumentar em 8%, para um recorde de 325.000 toneladas, apesar do comércio ser muito dependente da Rússia. Os focos de febre aftosa em 2011 e 2012 cortaram seu acesso a muitos mercados e a recuperação tem sido lenta, apesar do acesso ao Chile e a Israel ter sido restaurado.
 
Japão
A produção deverá cair em 2%, para 495.000 toneladas, por causa dos menores abates gerados pelas menores ofertas de animais. As importações deverão aumentar levemente para 781.000 toneladas. Parte desse crescimento é atribuído ao novo programa de comércio de carne bovina. O programa expandiu as importações dos Estados Unidos, substituindo a Austrália.
 
O crescimento na demanda por carne bovina dos Estados Unidos é principalmente direcionado pelo setor de foodservice e pelo setor de alimentos prontos para comer.
 
Coreia do Sul
Os menores abates, direcionados pela menor quantidade de bezerros e de animais deverão resultar em uma redução de 6% na produção de carne bovina, para 317.000 toneladas. O rebanho de bovinos começou a declinar à medida que fazendas pequenas deixaram o setor, devido aos altos preços dos alimentos e animais e baixos preços dos bezerros.
 
As importações deverão aumentar em 8%, para 398.000 toneladas, para compensar a menor produção. Os preços domésticos de carne bovina continuarão caindo, à medida que o governo e a indústria conduzem um marketing agressivo através de preços com desconto, enquanto a carne bovina dos Estados Unidos está se tornando mais competitiva com relação aos outros fornecedores.
 
Fonte: USDA, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.