Skip to main content

 
As indústrias do agronegócio caminham para o ponto máximo da concentração. A pulverização de várias empresas em vários setores, cenário que existia há algumas décadas, cedeu lugar a grandes conglomerados nos anos 2000. Agora, chegou a vez da fusão e das compras entre as grandes. Se concretizada, a aquisição da Monsanto pela gigante alemã Bayer será a união de duas das cinco principais empresas do setor agropecuário. 
 
Essa é uma tendência que não tem volta. A própria Monsanto acelerou esse processo. Ao tentar comprar a suíça Syngenta no ano passado, a multinacional norte-americana deu um golpe com a direita no setor. Ao não finalizar essa compra, acaba de receber um golpe de esquerda. Ao tentar adquirir a Syngenta –que deve ficar com os chineses da ChemChina, após oferta de US$ 43 bilhões–, a Monsanto mostrou que as indústrias não podem mais atuar isoladamente em suas atividades. 
 
É o que está ocorrendo agora. A Bayer tem o químico, mas não é tão forte na biotecnologia. Já a Monsanto tem a semente, mas não é forte na química. Uma complementa a outra. Grosso modo, os dados são os seguintes: A Monsanto fatura 14% com a área de químicos, e o restante, com biotecnologia. 
 
Já Syngenta, que a Monsanto queria comprar, tem posicionamento inverso, com faturamento maior nos químicos. O posicionamento da Bayer não difere muito do da Syngenta. Além disso, um novo evento na área de biotecnologia –uma nova semente Bt, por exemplo– tem um cus- to de US$ 150 milhões. O de uma molécula química –como um novo defensivo– custa US$ 300 milhões. Tempo, dinheiro e talento forçam a união entre elas. Unem forças no que mais tem de forte.
 
MARGENS 
 
Se efetivada, a transação pode não ser a melhor coisa para os produtores. Serão muitos produtos sendo negociados por apenas uma empresa. Essas negociações serão feita com margens cada vez mais apertadas. Esse aperto chega em um período de preços das commodities agrícolas em queda no mercado externo, após uma fase de aceleração nos anos recentes. 
 
A compra da Monsanto pela Bayer traria duas curiosidades ao mercado. A primeira: a reação dos produtores norte-americanos à perda de poder das empresas dos Estados Unidos no setor –nos últimos anos eles já vêm tendo presença menor nas exportações. Mercado de Sementes – Por volume de vendas, em % Outra será a dificuldade de junção a estilos de administração alemã com a norte- americana. 
 
Nesse vaivém de empresas, o setor precisa ficar atento e aprender mandarim o quanto antes. O caso da Syngenta pode não ser isolado, uma vez que os chineses, com a ajuda
do governo, querem aumentar a participação nessas empresas para garantir a subsistência alimentar.
 
Fonte: Folha de São Paulo.