A agenda doméstica hoje não contou com a divulgação de indicadores importantes. Vale mencionar a notícia de que a Aneel aprovou, a partir desta quinta-feira, reajuste da energia elétrica no Rio de Janeiro: para residências, a alta média será de 6,2%, enquanto que para indústrias e grandes consumidores haverá redução média de 1%. Nos mercados, o destaque ficou com a forte depreciação da taxa de câmbio. Apesar de o dólar ter se apreciado frente às principais moedas globais, o real (R$) foi a que apresentou maior depreciação (de quase 2%), voltando ao patamar de 12 de setembro, de R$ 2,29/US$. O temor da piora fiscal foi o principal fator desse movimento. Após o resultado primário de setembro, divulgado na semana passada, ter atingido um surpreendente déficit de R$ 10,5 bilhões, os desdobramentos de hoje, com a ministra da Casa Civil, simpatizando pelo regime de bandas para o superávit primário e o secretário do Tesouro, Arno Augustin, alegando que o a política fiscal do Brasil está sob "ataque especulativo" contribuíram para a piora de humor no mercado. Ambas as autoridades não sinalizaram nenhum esforço e comprometimento claro de melhorar as contas públicas no futuro próximo. Reflexo disso, a curva de juros também sofreu forte elevação principalmente no ramo médio e longo da curva.
 
Lá fora, destaque para divulgação das projeções econômicas mais atualizadas da Comissão Europeia, para o período até 2015. Segundo Olli Rehn, o comissário europeu para Assuntos Monetários e Econômicos, há sinais crescentes de que a Zona do Euro tenha alcançado um ponto de virada, por conta da consolidação fiscal e das reformas estruturais realizadas. Mesmo assim, a Comissão prevê que haja contração de 0,4% na economia da região este ano e, apesar de prever crescimento positivo para 2014, a expectativa foi revista para baixo pela segunda vez neste ano de 1,2% para 1,1%, após a revisão de 1,4% para 1,2% em maio. Em sua declaração, Rehn também indicou que a maior preocupação para o crescimento é a taxa de desemprego "inaceitavelmente" elevada: no próximo ano a Comissão prevê que o desemprego na Zona do Euro será de 12,2% (pouco além da projeção de 12,1% de maio), com perspectiva de uma melhora muito gradual à medida que o desemprego em 2015 seria 11,8%. Mesmo os países mais afetados pela crise da dívida deverão voltar a crescer em 2014: a economia da Espanha deverá expandir 0,5% (ante recuo de 1,3% em 2013) e a Grécia deverá crescer 0,6% (após queda de 4% em 2013), porém nestes países a taxa de desemprego permanecerá em níveis críticos, ao redor de 26%. Outra ameaça é a apreciação do euro que pode colocar em xeque a recuperação auxiliada pelas exportações, especialmente para os países do Sul, com destaque para a França que tem altos custos trabalhistas e produtividade mais baixa em comparação à Alemanha, que tem mais condições de lidar com o fortalecimento da moeda. De acordo com a Comissão, o euro deverá apresentar valorização recorde de 5,8% este ano e que será seguida por uma apreciação 0,9%.
 
Tivemos hoje também a publicação do índice que mede a atividade do setor de serviços nos Estados Unidos. Surpreendemente a expansão ganhou fôlego em outubro, a despeito da paralisação parcial do governo, após um forte arrefecimento ocorrido entre agosto e setembro. O índice marcou 55,4 em outubro, após ter registrado 54,4 em setembro. Este foi o 46º mês seguido em que houve indicação de expansão. A melhora deveu-se, em boa medida, ao aumento do ritmo de negócios em 12 das 17 indústrias pesquisadas. Também coloboram para o resultado mais favorável o aumento do emprego, dos estoques e das importações. Por outro lado, houve piora em novos pedidos pelo segundo mês seguido, o que sinaliza desaceleração adiante. Além disso, recuaram entregas, preços, reservas de pedidos e exportações.
 
Finalmente, foram divulgados os dados de inflação ao produtor na Zona do Euro, que cresceram um pouco na margem (0,1%, ante 0%), com aumento dos preços de energia, e mantiveram a deflação anual (de -0,8% para -0,9%), indicando continuidade do ambiente favorável para a inflação.

 

 

 

 

 
Fonte: Rosemberg