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A Coming Indústria e Comércio de Couros Ltda. vem ganhando destaque pela sua produção sustentável e pelo trabalho desenvolvido junto à comunidade para a conscientização ambiental. A empresa foi fundada no início dos anos 80 pelos irmãos Emílio Carlos Bittar, Márcio Brasil Bittar e Mário Bittar, atuando no ramo de couros. Sediada em Trindade Goiás, a Coming ampliou a indústria com uma unidade em Franca, São Paulo.

Em 2005, ampliou suas atividades com a Reciclagem Animal, produzindo a farinha de carne e ossos, o sebo e mais recentemente, ampliando a produção com o processamento da farinha de sangue.
Recentemente a Coming recebeu certificação na categoria Ouro pelo Grupo de Trabalho em Couro (Leather Working Group – LWG), por cumprir todos os requisitos do protocolo de gestão ambiental específico para indústria de couro. Além da certificação a Coming ainda possui troféus por ser exemplo de produção sustentável e como líder no mercado de curtumes. Em entrevista a Associação Brasileira de Reciclagem Animal – ABRA, o Gerente de Produção, Eduardo Arcoverde e o biólogo, David Fernandes, falam sobre a Reciclagem Animal e os projetos ambientais desenvolvidos com a comunidade de Trindade, Goiás.
 
ABRA – Como surgiu o centro de Reciclagem de Produto Animal da Coming?
 
Eduardo – O centro de Reciclagem Animal da Coming surgiu a seis anos, vendo que a atividade era rentável e seria uma solução para a poluição que esses resíduos causavam no meio ambiente até o início da nossa atividade. Vendo a importância desse setor, nós investimos em tecnologia, o nosso centro é totalmente automatizado, com equipamentos modernos, nós mantemos um rigoroso padrão de qualidade, com análises feitas durante toda a produção. Temos implantados os programas de Boas Práticas de Fabricação (BPF), garantindo assim um produto seguro e com total rastreabilidade. Seguimos todos os padrões operacionais exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.
 
ABRA – Em quais estabelecimentos são feitas as coletas desses resíduos?
 
Eduardo – O Goiás é um estado em potencial no abate de animais. Nós fazemos a coleta da matéria-prima em abatedouros, frigoríficos, açougues, casas de carnes, em mercados e supermercados da região. Para isso, temos uma frota própria de veículos que fazem a coleta diariamente de matéria-prima e também para entrega dos produtos fabricados.  Nossos caminhões são equipados para o transporte de cada mercadoria.
 
 
ABRA – Antes dessa atividade pela Coming, havia casos de descarte de resíduos de abate no meio ambiente?
 
Eduardo – Antes do processamento desses resíduos pela Coming, parte desses eram descartados nas estradas vicinais que dão acesso a indústria, em aterros inadequados que não tem estrutura e nem capacidade para tratar esse tipo de resíduo, em áreas isoladas com pouco acesso, e principalmente em córregos. A Reciclagem Animal mudou a cara do cerrado goiano. Com o processamento desses resíduos não houve mais casos do descarte na natureza e nos arredores de Trindade e Goiânia. Eu vejo a Reciclagem Animal como um serviço de utilidade pública. É uma atividade que completa o ciclo da cadeia de carnes, o que dá o caráter sustentável para essa produção. As partes não comestíveis vindas do abate são resíduos contaminantes, que entram em processo de putrificação rapidamente, caso sejam descartados de forma incorreta, atraindo pragas urbanas, como os roedores e aves, contaminando o solo, e principalmente os rios.
 
ABRA – A Coming é reconhecida pela qualidade de seus produtos de forma que a produção não agrida o meio ambiente, qual a importância da produção sustentável para uma indústria?
 
David Fernandes – A sustentabilidade virou assunto de grande importância social e ter uma produção sustentável agrega valor aos nossos produtos e nos dá maior visibilidade perante o mercado. Por este motivo e lógico que pela ótima qualidade de todos os nossos produtos, estamos tendo um retorno muito bom do mercado. É uma prática faz parte da nossa cultura. Com 80% da produção destinada ao mercado externo, a prática da responsabilidade socioambiental representa um "diferencial" da Coming. Inclusive, atualmente nós já somos referência na implantação de projetos de coleta seletiva em parques industriais da região e por isso ganhamos vários prêmios e certificados de produção sustentável.
 
ABRA – Conte-nos sobre os prêmios e certificações que a Coming recebeu devido à produção sustentável.
 
David Fernandes- Em junho nós ganhamos a certificação na categoria ouro pelo LWG, por produzir curtumes por cumprir o protocolo de gestão ambiental específico para esse setor. Além da certificação, nós possuímos também o Troféu Internacional de Prestígio Comercial New Millennium Award que ganhamos em 2002, o certificado de Empresa Amiga do Meio Ambiente em 2007, o troféu de Empresa Líder de Mercado, em 2007, o prêmio de Goiás Gestão Ambiental, também em 2007 e em 2011, recebemos o troféu de Melhor Curtume das Américas. Esses prêmios são o resultado do investimento na qualidade dos nossos produtos, e claro, do trabalho de um grupo gestor envolvido com a causa ambiental e com a qualidade final de nossos produtos.
 
ABRA – Vocês também desenvolvem o trabalho de conscientização ambiental junto à comunidade, Como funciona esse trabalho?
 
David Fernandes – Atualmente nós estamos com três projetos ambientais com a comunidade de Trindade, Goiás. O primeiro é o Projeto “Eco-óleo”, onde fixamos um ponto de coleta de óleo de cozinha usado na nossa sede em Trindade, onde os funcionários e a comunidade podem depositar esse resíduo, evitando o despejo em pias e ralos e consequentemente, a contaminação do meio ambiente. O óleo coletado é usado na produção de biodiesel, sendo transformado em energia limpa e alternativa. O outro projeto é o “Dia da Árvore”, onde levamos as crianças do Centro de Educação Infantil de Tempo Integral – CEITI, instituição mantida pela Coming, para conhecer mais sobre a reciclagem dos resíduos sólidos e a importância da conservação ambiental. E por último nós temos a Central de Reciclagem de Resíduos Sólidos, que começou em caráter experimental em 2010, com a necessidade de gerenciar todos os resíduos que surgem a com a produção do curtume. Em outubro, nós inauguraremos a nova Central de Reciclagem com maior capacidade de tratamento e com uma estrutura melhor. Vale ressaltar ainda que toda a renda gerada com a reciclagem dos resíduos sólidos e do óleo de cozinha é revertida para a manutenção do CEITI, que atualmente conta com um nutricionista, um médico pediatra, um fonoaudiólogo e com vários cursos.
ABRA – Qual é a importância da ABRA para a Coming?
 
Eduardo – A ABRA é essencial para as empresas de Reciclagem Animal. Através da entidade, o setor ficou organizado, e assim passamos ter representatividade perante aos órgãos públicos, resolvendo as questões do setor junto aos mesmos. É uma representação muito positiva, deixa o setor mais unido e consequentemente mais forte, sendo este tão importante para a economia brasileira. Além disso, a equipe da ABRA é muito atuante e tem conseguindo atender as expectativas de seus associados.
 
Fonte: ABRA para a Revista Graxaria Brasileira