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A colheita da safrinha de milho em Mato Grosso teve início, mas as perspectivas não são das mais auspiciosas para o grão, prejudicado pela falta de chuvas. Diante da perspectiva de uma queda no rendimento, os produtores do Estado, que já venderam antecipadamente mais da metade do que previam colher, avaliam que não terão volumes adicionais para negociar. Isso porque o que sairá dos campos pode ser suficiente apenas para cumprir contratos já firmados. Assim, diminuem as chances de que esses agricultores consigam aproveitar os preços atualmente mais elevados da commodity no mercado doméstico.
"A preocupação é que os 50%, 60% que já foram comercializados podem virar 100%. A maioria vai ter produto apenas para cumprir os contratos, não vai ter grão para vender no ‘preço bom’", diz Laercio Lenz, presidente do Sindicato Rural de Sorriso, no médio-norte de Mato Grosso. Segundo ele, a maior parte dos agricultores fechou vendas antecipadas (antes do início da colheita) de milho a um preço médio de R$ 19 por saca. Mas, em Sorriso, o valor atual supera R$ 30.
Cálculos do sindicato rural indicam que pelo menos 35% das lavouras de Sorriso estão em condição ruim, com rendimentos que devem oscilar entre 70 e 90 sacas por hectare. Outros 7,5% estão em situação considerada péssima, com potencial abaixo das 70 sacas. Na safrinha passada, a média foi de 117 sacas de milho por hectare. "Achamos que a média este ano ficará em 90 sacas, o que seria uma quebra próxima de 25% sobre o ano passado", afirma Lenz.
Em relatório divulgado na sexta-feira, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicou que os produtores colheram 0,37% da área plantada até 19 de maio, ou 15,7 mil hectares. A região oeste é a mais avançada, com 0,74% da área da safrinha já colhida. Por enquanto, o Imea prevê uma queda de 12% na produção, para 23,09 milhões de toneladas no Estado, responsável por 25% da oferta do grão no país. 
Em Sapezal, um dos principais polos de produção do oeste de Mato Grosso, a expectativa é que as primeiras lavouras colhidas tenham desempenho melhor que as mais tardias, tendo em vista que foram plantadas no início de janeiro e, de alguma forma, escaparam da fase mais aguda de seca. "Existem microrregiões no município com até 40 dias sem chuvas", conta Jose Guarino Fernandes, presidente do sindicato rural local.
O problema se agravou este ano porque boa parte da semeadura de milho foi feita fora da janela ideal – portanto, depois do fim de fevereiro. De acordo com Guarino, 30% do milho safrinha está comprometido em Sapezal. Em casos específicos, o produtor não vai nem tentar colher. "Não sei nem se nossa produtividade média chega a 95 sacas por hectare", diz. Em 2014/15, o município teve média de 103 sacas. 
Em relatório do início de maio, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) previu uma colheita de 19,5 milhões de toneladas no Estado, abaixo das 20,33 milhões previstas no mês anterior. Para a safrinha brasileira, houve uma revisão de 57,13 milhões para 52,91 milhões de toneladas, redução de 3% na comparação com 2014/15. 
A Safras & Mercado está ligeiramente mais pessimista que a Conab. Na sexta-feira, a consultoria projetou que a safrinha ficará em 52,13 milhões de toneladas. Além de Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Minas Gerais estão entre os que mais têm sofrido com a estiagem.
Fonte Jornal O Valor