Em meio ao cenário de maior oferta de gado no Brasil, a Marfrig confirmou ontem os planos de retomar as operações de três unidades de abate ainda neste trimestre, ampliando em mais de 10% sua capacidade total de abate no país, estimada em 13,5 mil cabeças por dia.

De acordo com o CEO da Marfrig Beef – divisão de negócios de bovinos da empresa -, James Cruden, a reabertura das três unidades elevará em 2 mil cabeças por dia os abates da companhia no Brasil – a capacidade total dos três frigoríficos é de 3,15 mil cabeças por dia. "Teremos uma oferta maior de gado pelo menos até o fim do ano", afirmou ontem o executivo, em evento com jornalistas, em São Paulo. No primeiro trimestre deste ano, a Marfrig abateu 522,1 mil cabeças, com a utilização de 65% de sua capacidade instalada.

No último dia 15, durante a divulgação dos resultados trimestrais, a Marfrig anunciou a intenção de reabrir três unidades de abate. Na ocasião, contudo, a empresa havia detalhado a capacidade e a localização dessas plantas.

Ontem, Cruden disse que a reabertura das unidades teve início há mais de uma semana, com a retomada das operações de abate na frigorífico de Pirenópolis (GO). Com a retomada da unidade goiana, o próximo passo da Marfrig, explicou Cruden, será a reabertura da frigorífico de Porto Mortinho (MS), previsto para as próximas semanas. E, ainda neste segundo trimestre, a companhia deve inaugurar uma planta localizada em Tucumã (PA).

Com a retomada dos três frigoríficos, a Marfrig permanecerá com outras cinco unidades fechadas, "e três dessas fábricas dificilmente voltam a operar", afirmou o executivo. Segundo Cruden, a pequena capacidade de abate (1,4 mil cabeças) das unidades de Ariquemes (RO), Goianira (GO) e Mãe do Rio (PA) inviabiliza a retomada de suas operações.

Também presente ao encontro, o vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores da Marfrig, Ricardo Florence, disse que a consulta feita ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para adiar um pagamento de cerca de R$ 250 milhões é uma "operação normal" e faz parte da estratégia de alongar o perfil da dívida da companhia "É uma operação típica de tesouraria", afirmou Florence, ressaltando que, por ora, "não há alteração no cronograma de pagamentos dos cupons" e que o mercado será informado sobre qualquer mudança no cronograma.

Conforme informou o Valor na semana passada, a Marfrig está negociando a rolagem de um pagamento de R$ 250 milhões a R$ 270 milhões com o BNDES, referentes ao vencimento, em julho, do cupom anual das debêntures obrigatoriamente conversíveis compradas pelo banco em 2010.

Na manhã de ontem, a empresa confirmou a nomeação do ex-secretário de Agricultura de São Paulo João Sampaio para a vice-presidência de relações institucionais da companhia. Sampaio, que também é produtor de gado, será o responsável pela relação da Marfrig com os fornecedores de matéria-prima, sejam eles pecuaristas ou produtores de grãos. "O João tem acompanhado o setor, tanto do lado da indústria quanto do produtor", afirmou o presidente da Marfrig, Marcos Molina.

De acordo com James Cruden, da Marfrig Beef, o perfil de Sampaio é um importante ativo para o melhorar o difícil relacionamento entre pecuaristas e frigoríficos.

Fonte: Avicultura Industrial